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MARIA GLÓRIA COSTA FONSECA

Maria Glória Costa Fonseca, mais conhecida por Lola, nasceu em Fão, filha de Gustavo Costa e Isabel Morim Costa. É admirável a qualidade dos seus dotes artísticos. Para além dos bonitos e diversos trabalhos que realiza, transmite também os seus conhecimentos a outras pessoas em acções de formação.

NF – Como e quando surgiu o gosto pelas artes? .
LolaSempre gostei de fazer uns trabalhos desde criança pois sentia uma inclinação para os trabalhos manuais.
Na escola já me destacava. Em Arcozelo, na Escola Preparatória onde estudei, fiz os vitrais da escola e também trabalhos em paredes. No meu percurso tive sempre a tendência para as artes, mas nunca segui, talvez porque nunca quis sair daqui.


NF – Que tipos de trabalhos mais gostas de fazer? Tens alguma regra artística? .
LolaGosto de fazer todos os trabalhos. Trabalho em vitral, tecido, madeiras, telas. Todos eles me agradam muito, mas são necessários dias especiais para cada tipo de trabalho.
Tenho por exemplo um quadro que iniciei em Agosto, que se encontra parado até hoje, é necessário que suceda um dia particular para continuar a trabalhar nele.
Por curiosidade, foi um quadro bastante elogiado por Sérgio Mourão (conhecido crítico e colunista de arte) que ficou entusiasmadíssimo com o trabalho.


NF – De onde vem a inspiração para os novos trabalhos? .
LolaEu não me gosto de elogiar, mas sinto-me cada vez mais criativa. Tenho gosto fundamentalmente para aproveitar matérias, transformar produtos. Até costumo chamar de “reciclar”.

NF – Os teus trabalhos trazem-te retorno financeiro? .
LolaOs meus trabalhos são preferencialmente para satisfação pessoal, e servem para ajudar pessoas que têm necessidades. Servem para ofertas, tirando os custos dos materiais.
Obviamente que não daria para me dedicar somente a isso, pelo menos não aqui, teria de me expandir.
Para mim servem, de certa forma, para alívio do stress, descontrai-me imenso, e isso é que me oferece satisfação.


NF – Quais as dificuldades que te deparas nesta área?
LolaHá algumas dificuldades para expandir o trabalho, embora eu tenha muita gente de fora que já conhece o trabalho e me procuram. Muitas pessoas ficaram a conhecer os meus trabalhos através da minha participação nas últimas Feiras do Artesanato na Festa do Marisco.

NF – O facto de trabalhares num infantário e lidares com crianças, está interligado a este gosto pela arte?
LolaNão. Acabei foi por implantar alguns dos conhecimentos nos trabalhos e actividades das crianças.
Na última feirinha realizada, os miúdos estavam bastante incentivados e motivados.
Até tenho fãs no infantário. Na minha sala tenho uma criança que até pára de brincar para me ver fazer. Existem crianças em que já se nota uma maior sensibilidade para este tipo de trabalhos.


NF – De certa forma, a formação tem promovido o teu trabalho? Como é que surgiu?

LolaEu frequentei um curso como aluna, aqui no ASP (Águias Serpa Pinto), em Novembro de 2005.
Fui comparando com os meus trabalhos e adquirindo conhecimentos para os transmitir posteriormente.
Através de uma conversa com o Dr. Augusto, este convidou-me e aceitei dar formação. Falei depois com a Manuela Machado, também colega de trabalho, que aceitou colaborar comigo.


NF – É gratificante ver a evolução das formandas?
LolaÉ extremamente gratificante, fico muito contente com a evolução delas. Nem existem palavras para descrever, dá um enorme contentamento e a mais pura felicidade.


As suas habilidades em artes manuais chamaram-nos a atenção quando visitamos o seu stand na última Feira de Artesanato, a que fizemos na altura uma referência elogiosa à diversidade e nível dos seus trabalhos, que passavam também pelas pinturas a óleo em tela bem apelativas.
Numa área onde o que se aprende liberta capacidades inatas, a partilha de saberes em acções de formação é uma forma de realização pessoal, que nas artes manuais têm hoje muitos interessados em aprender.