MOISÉS VAREIRO
Quem não conhece o Moisés? Com o seu ar sempre brincalhão, é fácil notar a sua presença, seja à mesa, seja em qualquer recanto fangueiro onde esteja um grupinho de amigos, seja na “sua” esplanada no topo sul da nossa praia. Dizem os seus melhores amigos que a areia e o mar são hoje o seu forte, não como turista, pese o aspecto de um bronzeado profundo, mas como empresário de praia.
1. Como e quando surgiu a actividade concessionária?
Surgiu em 1988 quando vim para aqui pela desistência do falecido Zé Carneiro, que tinha gosto em que eu ficasse com a concessão. Na altura fiz o meu investimento, que bem me custou. Era na parte de cima, nos balneários do hotel.
Já em 1981 trabalhava como funcionário no outro apoio.
2. Já tinha trabalhado noutras áreas?
Sim. A minha primeira profissão foi na construção civil (era trolha e pintor ao mesmo tempo).
Também explorei um tasco (“Cantinho da Moura”) e mais tarde explorei a sede do Clube Futebol de Fão.
A concessão de praia foi uma volta na minha vida pela positiva. A partir dai é que comecei a dar valor ao dinheiro.
3. É nesta actividade que pretende reformar-se?
Sim. Espero bem que sim.
4. Ao longo deste “percurso” como banheiro, houve algum momento ou situação que o tivesse marcado mais?
Houve sim. Logo no dia 4 de Setembro de 1988 a morte de uma miúda. Faleceu nos meus braços no Hospital de Fão, vítima de congestão.
5. Na sua óptica o ISN (Instituto de Socorro a Náufragos) dispõe dos meios adequados para auxiliar banhistas?
Aqui na praia de Fão não. Talvez noutros lados.
6. Tem clientes habituais desde os primeiros anos como banheiro?
Sim, tenho alguns clientes que trouxe comigo desde o tempo que trabalhava como funcionário no outro apoio.
Outros mantêm-se desde o tempo do falecido Zé Carneiro e esforço-me para que continuem a comigo.
7. Que balanço faz do movimento de turistas, portugueses ou estrangeiros, na praia de Ofir?
Há sempre mais portugueses do que estrangeiros.
Mas nesta altura é mais com os estrangeiros que “vivemos”, do que com o português residente.
8. Existem grandes diferenças entre a postura dos turistas estrangeiros com a dos portugueses?
Talvez a nível monetário, mas tenho muitos bons clientes portugueses. No entanto é com o emigrante que temos mais conflitos, embora pequenos.
9. Até que ponto o fecho da ponte afectou a época balnear de 2006?
Não noto absolutamente diferença nenhuma. Parece que a ponte nem sequer existe.
Os nossos clientes são normalmente de Braga, Barcelos e Guimarães e foram beneficiados com as novas auto-estradas. Não sentem por isso o encerramento temporário da nossa ponte.
10. Para quem não conhece o seu “Apoio de Praia” que razões é que daria para o visitar?
Para quem não conhece, o que eu tenho de bom é a esplanada, a paisagem em si e acima de tudo o clima familiar que o apoio de praia proporciona, o que é já uma boa tradição no lado sul.