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FERNANDO OLIVEIRA
Barman-pescador

Diz o ditado popular que “filho de peixe sabe nadar”, o que no caso do nosso entrevistado, também terá aplicação. É que o Fernando, com 30 anos e barman há vários anos no snack-bar da Rita Fangueira, é filho de outro Fernando Oliveira, que foi barman no Hotel Ofir, para onde veio trabalhar e por cá constituiu família.

Mas não foi por essa faceta que o decidimos entrevistar. O Fernando tem como principal “hobby” a pesca, numa terra de pescadores de rio e de mar, com grandes tradições e muitos “experts”, em que ele já se inclui. Com as suas canas e iscos, tem feito pescarias notáveis e todo o peixe que exibe vem direitinho do mar ou do rio através das suas artes. É que de pescadores e caçadores já conhecemos muitas histórias gloriosas, mas as dele até têm registo.

NF- Como e quando começou esse gosto pela pesca?
Fernando- “Pouco depois de ter regressado da Venezuela, onde estive dos 6 aos 15 anos, comecei a apreciar quem pescava na praia. Não demorei muito a adquirir o meu próprio equipamento e a ganhar conhecimentos com a prática de algumas técnicas e algumas formas de identificar os sítios e os iscos. Claro que comecei a pescar no rio e lá iam aparecendo uns peixes pequenos”.

NF- Alguém te ensinou os segredos, qual o material e técnica que usas, quando e onde pescas preferencialmente
Fernando- “Ninguém me ensinou, aprendi sozinho. Os mais velhos não gostam muito de revelar os seus “segredos”, aliás como em certas profissões. Uso sempre duas canas e utilizo o aparelho conforme o tipo de pesca que pretendo, seja “à bóia”, “currico” ou “ao fundo”, que é a minha preferida e em que se apanham os maiores exemplares.
Eu pesco quase sempre de noite e vario muito de local, embora goste muito da zona da foz do Cávado, seja do lado de Fão ou no de Esposende. No lado de cá é mais agradável, mas quando estou muito cansado, é mais custoso, pois tenho de andar ainda bastante a pé. Lembro-me por exemplo, de um dia de rica pescaria, dividir-me em sentimentos, pois ao prazer da bela “colheita”, tive o “pesadelo” de ter de carregar com vários quilos de peixe. No entanto, também vou muito para a Póvoa de Varzim, Santo André, Vila do Conde e até Viana do Castelo.”

NF-Lembras-te do primeiro peixe grande? E do maior?
Fernando- “O primeiro, foi um robalo com cerca de 3 quilos, tinha eu 18 ou 19 anos. O maior foi mais recentemente e esse robalo, pesava 8,070 quilos. Não coube na banca para preparar nem inteiro no forno.”

NF- O peixe que pescas é para vender? Como tem sido as últimas pescarias, sentes diminuir a quantidade?
Fernando- “É todo para consumo interno! Eu e a minha família temos o prazer de o apreciar à mesa e à minha mãe toca-lhe a tarefa mais árdua, pois é ela que prepara e cozinha todo o peixe.
Cada vez sai menos peixe, embora também o número de pescadores tenha aumentado muito, mas este ano a coisa tem corrido bem, pois já apanhei um peixe de 8 kg, outro de 7 kg, outro de 5kg e num só dia apanhei 12 kgs de peixe.”

NF- Quais as principais espécies que capturas? Pescas sozinho ou costumas fazer equipa? O estado do mar, é factor importante?
Fernando- “Principalmente o robalo, mas também aparecem muitos rodovalhos e sargos.
Pesco muitas vezes sozinho, mas também vamos 2 ou 3 juntos conforme as circunstâncias.
Quando o mar está bravo, é quando se apanham os melhores espécimes, com o tipo de pesca “ao fundo”, embora às vezes seja complicado para conseguir tirar o peixe da água, como me aconteceu há pouco, em que estive 45 minutos para o conseguir, tal era a agitação das águas.”

Dizendo-o com um sorriso muito jovial, como é seu apanágio (no balcão da Rita, em que consegue ter uma relação muito íntima e cordial com os clientes), até parece que aquilo é tarefa fácil. Mas não lhe faltam ao balcão clientes competidores nas difíceis lides da pesca e é frequente o debate sobre os melhores espécimes conquistados ao mar e ao rio, já não falando nas diversas técnicas e estratégias de captura. Claro que segredo é sempre segredo. Alguns dos seus colegas de equipa também são jovens e com algum êxito e é interessante esta ocupação dos tempos livres, que até pode ser rentável. Também o patrão Lima quis dar um bom pescador, mas parece que a “sorte” não lhe sorri do mesmo tamanho. E então, para exibir alguns êxitos, lá vai encomendando nas peixarias das redondezas algum robalo bem anafado, pois sempre dará nas vistas. Cabe-lhe a sorte de ter sempre a D. Tininha para lhe dar aquele “santo” tempero.