PATRICIA PIMENTA
Professora do 2.º ciclo, a jovem fangueira Patrícia Pimenta, está colocada numa escola na ilha de São Miguel nos Açores.
É ainda muito jovem pois nasceu a 17 de Fevereiro de 1983 e é filha de Maria Eugénia Ferreira Graça da Silva Pimenta e Artur Antunes Pimenta. Desde o ano lectivo de 2006/7 que está colocada nos Açores.
Novo Fangueiro – Há quanto tempo te formaste ? Fala-nos um pouco do teu percurso académico.
Patrícia Pimenta - O meu percurso escolar começou na Escola Primária de Fão, onde andei os quatro primeiros anos de escolaridade. Depois frequentei a Escola António Correia de Oliveira onde concluí o 5º e 6º anos de escolaridade. Continuei os estudos na Escola Secundária Henrique Medina e aí completei o secundário. Por fim, concorri para o Politécnico de Viana do Castelo – Escola Superior de Educação, na qual concluí a licenciatura que agora me possibilita dar aulas de Educação Visual e Tecnológica.
Novo Fangueiro - Em que momento da tua vida decidiste optar por esta área? Sempre foi o que quiseste?
Patrícia - Escolhi o curso de artes visuais quando transitei para o 10ºano de escolaridade, na Escola Secundária Henrique Medina. Dos cursos que me apresentaram, este foi o único com o qual me identifiquei, uma vez que, desde muito cedo, revelei o gosto pela pintura.
Novo Fangueiro - E daí até leccionares nos Açores, o que aconteceu?
Patrícia - Quando concluí a licenciatura, o meu grande objectivo era simplesmente dar aulas, por isso nunca me preocupei muito em saber onde trabalharia. Dada a dificuldade em arranjar colocação no continente e uma vez que consegui colocação na ilha de São Miguel, senti-me na obrigação natural de aceitar essa oportunidade. Assim, juntei o útil ao agradável, ou seja, tive a possibilidade de conhecer um lugar que eu desconhecia até então, e exercer a minha profissão. Contudo, devo confessar que nunca pensei nos Açores como hipótese.
Novo Fangueiro - E nos Açores, como foste recebida? O teu primeiro impacto foi diferente do que o que sentes agora?
Patrícia - Fui bem recebida na ilha de São Miguel. As pessoas foram acolhedoras, simpáticas, e as colegas de trabalho, que na altura também estavam na mesma situação, ajudaram a proporcionar um ambiente de inter-ajuda, minimizando um pouco a distância e a saudade de casa. Neste momento, após quase dois anos e meio pelas ilhas dos Açores, a minha adaptação já é mais fácil, uma vez que a dificuldade da pronúncia está mais ultrapassada e as relações de amizade são maiores.
Novo Fangueiro - O que sentes ao saber que, neste momento, para fazer aquilo que gostas, tens de estar fora da terra?
Patrícia - Apesar de ter sido bem recebida nos Açores, é óbvio que preferia trabalhar no continente, num sítio mais perto da minha terra natal, mas a profissão que escolhi não me permite, de momento, esse privilégio. Ao início foi mais complicado estar fora de casa e afastada da família, mas actualmente já aceito esta realidade com maior naturalidade.
Novo Fangueiro - De quanto em quanto tempo vens a casa?
Patrícia - Somente quando a minha profissão o permite, nomeadamente nas férias de Natal, Páscoa e no mês de Agosto.
Obra ”A tragédia do Rei Édipo” - pintura a acrílico realizada pela Patricia no 4ºano da universidade
Novo Fangueiro - Quais são as principais diferenças com que te deparas no teu dia-a-dia, como fangueira a viver nos Açores?
Patrícia - As principais diferenças prendem-se, desde logo, com a dimensão do espaço, por se tratar de uma ilha. Uma outra diferença a salientar relaciona-se com o clima, uma vez que nos Açores os índices de humidade são muito elevados e não ocorrem grandes variações de temperatura comparativamente com o que se verifica em Fão.
A pronúncia tipicamente açoriana, a gastronomia, as tradições, o elevado custo de vida e as paisagens são outras diferenças bem notadas por todos os que aqui chegam pela primeira vez.
No entanto, recomendo a todos uma visita às ilhas açorianas, pois de certeza passarão umas boas férias e serão brindados com a possibilidade de contemplar paisagens lindíssimas, no meio de um clima diferente mas muito agradável. No entanto, é necessário ter consciência que, para se viver nestas ilhas, existem certas limitações relacionadas, principalmente, com as dimensões, o transporte (avião) e com os cuidados de saúde, pois há certas especialidades que não existem nos Açores.

”Rodolfo Silva” - pintura a acrílico realizada no ano de 2005
Novo Fangueiro - Para além de leccionares, também ocupas parte do teu tempo a desenhar? É para ocupar o tempo livre ou porque sentes mesmo necessidade de o fazer?
Patrícia - Infelizmente, não tenho dedicado tanto tempo à pintura como gostaria, porque o ensino ocupa-me imenso tempo. Sem ter a menor dúvida, posso afirmar que pinto pela necessidade de transmitir o meu próprio modo de ver e de pensar sobre o mundo.
Obra: ”Os Nenúfares” - aguarela realizada no 1ºano da universidade
Novo Fangueiro - Desenhar…. Aprende-se? Ou a pessoa já nasce com a aptidão?
Patrícia - Essa é uma questão interessante e que tem a ver com o que virá no nosso código genético, com o que é herdado ou aprendido e até podem existir algumas teorias sobre isso. No entanto e na minha opinião, a pessoa já nasce com uma aptidão que, juntamente com a prática, se desenvolve e aperfeiçoa.
Obra: ”Rosto Fragmentado”-pintura a óleo realizada no 1ºano da universidade
Obrigada Patrícia por partilhares connosco este bocadinho da tua vida e do teu trabalho!