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EDUARDO VIANA
Radialista

Fangueiro de 39 anos de idade, o António Eduardo Oliveira Viana é um homem multi-facetado, envolvido em várias associações do concelho. Ao serviço da Esposende Rádio há 18 anos, a sua voz popularizou-se por esse mundo fora e familiarizou-se com o vasto auditório daquela estação radiofónica, como locutor, animador e repórter.

NF- Qual a tua relação com a Rádio e em que mais estás envolvido?
Eduardo Viana- ”Na Esposende Rádio sou um colaborador em “part-time”, neste momento o mais antigo, pois faço-o há cerca de 18 anos. Claro que é uma relação muito estreita, como que familiar, onde faço de tudo um pouco, sempre que é preciso. Pode-se dizer que sou um polivalente, pois para além do habitual programa musical ao fim da tarde e fim-de-semana, por vezes faço também discos pedidos, noticiários, entrevistas e reportagens de exterior.
Profissionalmente sou empregado público na empresa municipal Esposende Ambiente, há cerca de 20 anos. Depois estou envolvido noutras coisas que gosto, como é ser Bombeiro nos Voluntários de Fão há mais de 20 anos, fazendo parte da sua Fanfarra, tendo transitado dos antigos Escuteiros de Fão. Colaboro também com o Rancho das Moleirinhas de Marinhas e o “GATA” de Fão, nestes mais como apresentador nos seus espectáculos. Faço ainda parte das direcções do Fórum Esposendense e da Cooperativa Cultural de Fão, tendo ainda feito parte da Comissão de Festas do Senhor Bom Jesus nos últimos 4 anos.”


NF- Quando te apercebeste do jeito pela locução? Ou foi alguém que te fez ver que tinhas uma boa voz?
Eduardo Viana- ”Era eu adolescente e fazíamos algumas brincadeiras, simulando reportagens e eu gostava muito disso. Os amigos começaram a dizer-me que eu tinha habilidade e uma boa voz para locução.. “.

NF- E como surgiu a oportunidade de entrares para a rádio?
Eduardo Viana- ”Fui encaminhado por amigos e então resolvi candidatar-me, tendo ido prestar provas na então Rádio Esposende em 1990. Depois fui convidado a fazer um programa de animação a título experimental, que por sinal foi do agrado dos responsáveis. Não demorou muito até que me ofereceram um programa musical todos os fins de tarde, como locutor/animador e desde então passei a fazer este “part-time”.

NF- Qual o tipo de trabalho que mais gostas de fazer na rádio?
Eduardo Viana- ”São as reportagens no exterior, andar na rua no contacto directo com as pessoas, isso dá-me uma enorme satisfação.”

NF- Qual a tua opinião sobre a evolução da imprensa e nomeadamente da rádio no nosso concelho nestes 20 anos?
Eduardo Viana- ”Acho que houve uma grande evolução positiva, pois antes as pessoas preferiam ouvir as rádios nacionais e subestimavam as locais, que entretanto também se foram desenvolvendo. A nossa rádio no concelho é a estação mais ouvida e há muita gente que não a dispensa no seu quotidiano e agora com o funcionamento do site, com notícias e emissão online, o crescimento tem sido muito maior, inclusive com muitos novos ouvintes, sem qualquer ligação ao concelho. Já quanto à imprensa escrita penso que ouve alguma regressão, que culminou com o fim de algumas publicações como foi o caso do “Jornal de Esposende” e do “O Novo Fangueiro”. Por outro lado o aparecimento e crescimento da Internet, aumentou a informação e o contacto mais directo com os cidadãos, como acontece com o “Novo Fangueiro Online” que tem um papel muito importante, principalmente para os nossos emigrantes. ”

NF- Envolvido noutras associações, tem a ver com a influência do teu pai (António Gomes Viana)?
Eduardo Viana- ”Sem dúvida! Até porque em pequeno o acompanhava para muitas das suas actividades associativas. Por exemplo, os bombeiros era também uma grande paixão do meu pai, que transitou para mim naturalmente. Ser bombeiro é mesmo uma das minhas grandes paixões. A Fanfarra é um bichinho que já vinha dos antigos escuteiros, que se intensificou com a boa organização que se conseguir criar nos Bombeiros.”

NF- E essa experiência na Comissão de Festas? Quatro anos num ciclo que agora se fecha com algum cansaço ou desmotivação?
Eduardo Viana- ”Foi uma bela experiência, pois constituímos um excelente grupo, que pensamos realizou um trabalho muito positivo. A satisfação é geral de todos nós, desmotivados não, mas talvez um pouco cansados, principalmente porque nos custa o “massacre” todos os anos de andar a pedir de porta em porta, ainda por cima sabendo da crise que todos vão sofrendo. Por outro lado, talvez seja interessante aparecerem novas pessoas e novas ideias. Com isto não estou a dizer que a porta estará fechada, pois muitos de nós com certeza poderão voltar mais tarde a integrar outras comissões de festas, se a oportunidade surgir.”

NF- E a Cooperativa? Como surgiste agora na sua direcção?
Eduardo Viana- ”Tive que aceitar o convite para tentar ajudar a dar continuidade ao trabalho do meu pai e é com grande prazer que participo nas suas actividades. Por outro lado, sei que o ter ido trabalhar muito cedo para a sede do concelho, me fez criar outras amizades e o meu bairrismo é mais generalizado, pois sei que qualquer coisa em que nos envolvemos a nível concelhio poderá ter as suas vantagens também para a nossa terra. Claro que o António Viana, era um homem que só via o “seu” Fão e foi porque ele me deixou por escrito esse pedido de nunca abandonar Fão, que eu me virei um pouco mais para a nossa vila, sabendo que trabalho em Esposende e agora estou casado em Marinhas, tendo também que pensar um pouco na família.”

NF- Tal como o teu pai também te envolveste na política. E agora?
Eduardo Viana- ”Estou um pouco afastado disso. No passado envolvi-me através da família e cheguei a aceitar vários cargos, mas actualmente a política não me motiva, embora não possa dizer que num futuro não possa reaparecer, num contexto que me entusiasme.”

NF- Que passo gostarias que a rádio desse no futuro? E que conselhos darias a alguém que te quisesse seguir as pisadas?
Eduardo Viana- ”O nosso concelho é relativamente pequeno e temos que ter os pés bem assentes na terra, sabendo que não há capacidade para ir muito mais além. No entanto, depois de já termos aumentado um pouco a potência da antena, gostava que ela aumentasse ainda mais, pois a norte do concelho e Alto Minho temos um sinal muito fraco. Com o funcionamento do site, como disse anteriormente, demos um passo muito importante, pois vamos mais longe, temos mais ouvintes e um contacto mais directo com eles, isto acrescentado com muito mais informação que o site lhes dá.
Quanto à segunda pergunta, penso que primeiro é preciso uma boa dicção, saber comunicar e sentir-se à-vontade. Ter algum poder de improviso, principalmente nos directos, onde por vezes vivemos algumas situações hilariantes, mas também embaraçosas devido à linguagem e termos usados por muitos ouvintes. Isto claro, partindo do princípio que se gosta muito disto.”


Este o depoimento do Eduardo Viana, que curiosamente mostrou alguma timidez e humildade, apanágio daqueles que preferem o trabalho e a dedicação às suas causas, que como podem ter lido não são poucas, herdadas de um homem que foi considerado o protótipo do bairrista fangueiro das últimas décadas. A “voz de Fão”, na rádio ou nos diversos espectáculos que se realizam em Fão (fados, variedades, teatro, desportivos), têm marcado as mais notadas actividades fangueiras.