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SUSANA SANTOS

Susana Santos é uma mulher de Fão que constitui um exemplo para a sociedade. A troco de nada participa activamente em eventos na nossa vila, e em conversa com o Novo Fangueiro OnLine fala de como se tornou Bombeira Voluntária.

Há quanto tempo és bombeira voluntária? Como foi o teu início nessa actividade?
Sou bombeira há 11 anos, desde 1994.
Quem me incentivou a entrar para os Bombeiros foi na altura o Comandante Pieira e o adjunto Norberto, que é agora o actual comandante.

O que te levou a ser bombeira?
Na minha opinião, todos nós temos um dever para com a sociedade e é uma das formas de o cumprir.
Um bombeiro arrisca a vida, ajuda o próximo, e a troco de nada, sem esperar nada em troca.

É este dever para com a sociedade que te leva a participar activamente em outras actividades em Fão, como é o caso de fazeres parte da actual Comissão de Festas do Senhor Bom Jesus?
De uma certa forma sim. É um voluntariado, mas de forma diferente.
Todas as pessoas que participam numa comissão de festas são voluntárias, não ganham nada com isso, só perdem, mas fazem-no pela comunidade onde estamos inseridos, neste caso de Fão.

Foste a primeira mulher bombeira em Fão. Sentes que de alguma forma fomentaste a entrada de outras mulheres para os bombeiros?
Actualmente somos 14. Não sei se fomentei, eu de certa forma resisti ao tempo, já entraram muitas, já desistiram muitas e voltaram a entrar.
De certa maneira, embora no início as pessoas no exterior olhassem de forma diferente, depois foram-se habituando.

Quais as principais dificuldades encontradas no exercício da actividade? Algumas dessas dificuldades têm relação com o facto de seres mulher?
Na parte interna dos bombeiros não. Fui muito bem aceite no meio dos homens, pela direcção e pelo comando.
Agora na parte exterior ao quartel, talvez olhassem de forma diferente relativamente ao facto de ser mulher.

Os bombeiros são considerados por muitos como masculino, e ainda dominados por homens. Quais as vantagem e desvantagens de ser uma mulher bombeira?
Eu acho que agora não existem vantagens nem desvantagens. Nos dias de hoje há um grau de igualdade, as tarefas são iguais, não existem limitações.
Actualmente já há muitas mulheres bombeiras no distrito de Braga.
Há inclusive serviços que os pacientes preferem mulheres, não que elas tenham mais sensibilidade que os homens, mas sim outro tipo de susceptibilidade, ligeiramente diferente.

Lembras-te de alguma experiência especialmente marcante?
Sim. O meu primeiro serviço foi especialmente marcante.
Num dia de tarde, chegou uma chamada para um serviço em Apúlia. Era um incêndio, onde era necessária também uma ambulância para uma pessoa que estava queimada. Quando cheguei ao local, deparei-me com a pessoa já morta, toda a queimada. Foi um cenário horrível, que me impressionou bastante.

Não fez com que pensasses em desistir?
Não. Eu costumo dizer várias vezes, que quando vamos para um acidente, mentalizamo-nos que vamos ver o pior.
Em contrapartida, quando vamos para uma transferência vamos sempre na dúvida, e às vezes a transferência consegue ser muito pior que um acidente. As transferências são muitas vezes um serviço em que nós nos tornamos impotentes perante o que poderá acontecer, pois temos simplesmente formação em socorrismo.

Como está o movimento do voluntariado no concelho de Esposende?
Na minha opinião, actualmente o voluntariado é muito complicado.
As regras a nível geral exigem muito do voluntariado e os voluntários não são profissionais. Nós ocupamos os nossos tempos livres, mas nos dias de hoje exigem muitas coisas. Por um lado é positivo a medida que exige que as pessoas tenham formação e que se actualizem.
Por outro lado, vivemos numa sociedade muito consumista e das duas uma. Ou as pessoas perdem tempo a ir para os centros comerciais, ou perdem tempo a vir ao quartel de bombeiros, ou cruz vermelha, ou qualquer outra instituição. Os tempos mudaram nesse sentido.

Na tua opinião quais são os principais requisitos para ser um bombeiro voluntário?
O principal requisito, paralelo aos aspectos da formação, é ser humano e gostar do próximo. Não é à toa que é “vida por vida”.
É essencial gostar do próximo, ser muito humano e ter espírito de ajuda.
Obviamente que tenho de referir todos os requisitos de formação em socorrismo e testes de avaliação.