CARLUZ BELO
Nasceu a 7 de Agosto de 1983, em Fão, chama-se Carlos Bruno Rolo Pereira Pires Belo e conta-nos que veio ao mundo já estimulado pela guitarra do seu avô Mário Belo.
O Carlos Bruno é licenciado em Design da Comunicação, desde 2006, pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto. Frequentou também, como actividade extracurricular, o TUP – Teatro Universitário da Universidade do Porto, assim como aulas de piano na Escola de Música do Marquês.
Em Inglaterra, onde fez Erasmus em 2005, fez parte de um coro Gospel da Universidade Conventry e foi nestes momentos mais distantes de Fão, que começou a compor a música Cavaleiro da Manhã , que o leva no próximo dia 9 de Março ao Festival RTP da Canção.
Na sua terra fez parte do Grupo de Jovens de Fão, onde cantava e era autor e compositor de algumas músicas.
Novo Fangueiro – Como nasceu Carluz Belo?
Carluz Belo – Foi algo que foi surgindo aos poucos. Cresci rodeado e sugestionado pelo som da Guitarra Portuguesa do meu Avô – Mário Belo – que por sua vez herdou do seu pai a veia artística. A experiência como actor no grupo de teatro “Com Tacto” da Escola Secundária Henrique Medina em Esposende foi basilar, pois foi lá que “despertei” para as artes.
Quando entrei na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto e por impossibilidade de continuar no teatro, levei comigo um pequeno piano, onde comecei a compor as primeiras canções. A partir daí tudo se começou a desenrolar duma forma natural: participei em alguns concursos e festivais a nível regional, tive uma banda de garagem e passei por alguns grupos corais. No fim da minha licenciatura em Design, decidi que precisava mesmo de mais formação musical para me por à prova. Foi assim que me inscrevi na ETIC – Escola Técnica de Imagem e Comunicação em Lisboa, uma escola, com cursos voltados para as artes, música e comunicação. Entrei para o curso de “Produção Musical” com a duração de 1 ano. Terminei em Julho de 2007.
No fundo, este “Carluz” que agora se apresenta, é ainda um estudante e um eterno aprendiz.
Novo Fangueiro – E o Carlos Bruno quem é?
Carluz Belo – A nível pessoal, sou uma pessoa alegre e pacata. Adoro a minha família e os meus amigos. Penso que toda a força do mundo nos advém exactamente dos afectos. Gosto muito de cultivar a amizade e de boas conversas. Gosto de estar a par do mundo onde vivo, com um olhar construtivo. Acredito no trabalho!
Novo Fangueiro – Como te sentes a uns dias de participar no Festival da Canção? Como está a ser o teu “dia-a-dia”?
Carluz Belo – Bastante ansioso. À medida que os dias vão passando, há um desenrolar de novas emoções. Também me vou habituando ao “cenário que me rodeia”. Tento manter a calma (dentro dos possíveis), sempre com os pés firmes no chão.
Neste momento estou a ter aulas de canto e tenho os ensaios junto com o pessoal que me vai acompanhar. Vamos ser 6 pessoas em palco, eu, um músico, tocador de gaita de foles, uma bailarina e 3 coristas, que por curiosidade, faziam parte do Coro Shout que trabalharam com a Sara Tavares. Tenho também os ensaios com os outros concorrentes para um medley que irá ser realizado também no dia 9.
Novo Fangueiro – Conta-nos como tudo aconteceu…
Carluz Belo – Relativamente ao convite por parte da RTP, posso dizer que tudo aconteceu duma forma estranhamente simples. Após ter concluído o meu Curso de Produção Musical na ETIC, em Julho de 2007, enviei algum do meu trabalho para várias entidades. A RTP foi uma delas. Foi passado sensivelmente um mês, que recebi o convite na qualidade de responsável pela apresentação duma canção a concurso, e claro, fiquei em pânico! Só passados dois dias é que consegui acreditar. Era de facto um dos meus sonhos.
Novo Fangueiro – Sentes que “levas Fão mais além”?
Carluz Belo – Sem dúvida. É uma grande honra estar a participar no Festival RTP da Canção e orgulho-me muito das minhas raízes. Esta canção fala muito da cultura lusófona, das raízes e da “terra”. Esta terra é também Fão.
Novo Fangueiro – O que significa Fão para ti?
Carluz Belo – Não é fácil descrever. É o meu berço, o meu refúgio, o meu “paraíso lusitano”. Muitas das minhas canções foram e são escritas na nossa praia, praia de Ofir. Adoro estar em Fão. Independentemente daquilo que cada um faz na vida, penso que só podemos dar o melhor de nós, se estivermos em paz com a nossa raíz. Fão ajuda-me imenso na busca do auto-conhecimento. Tenho a família mais chegada em Fão e mesmo os que não vivem em Fão, têm Fão como centro, tal como eu.
Novo Fangueiro – Para além de cantar, também és o autor e compositor da música. Todas as músicas que cantas são da tua autoria?
Carluz Belo – Sim. Eu só canto porque componho. Não me considero um cantor. Para mim existem os cantores (cuja beleza da voz é o centro), e os “cantautores”, cujo centro, normalmente é a mensagem das canções. Eu considero-me um aprendiz de “cantautor”.
Novo Fangueiro – Quem são as tuas referências musicais?
Carluz Belo – Quase tudo o que ouvimos nos ajuda a definirmo-nos, mesmo aquilo de que não gostamos. Uma das grandes referências musicais que tenho é a extinta banda brasileira “Legião Urbana”, porque eu nunca tinha ouvido alguém abordar a língua portuguesa do modo como eles abordam. Fiquei apaixonado pela sua música. Em relação à música nacional, é mais difícil evidenciar nomes, pois no nosso país é muito difícil a existência de carreiras sólidas. Gosto bastante do trabalho da Sara Tavares, pois foi sempre procurando a sua raiz, neste caso, na chamada “World Music”. Em inglês, destaco Jamie Cullum, pela sua irreverência na mistura entre o Pop e o Jazz e Rufus Wainwright, pela sensibilidade que deposita no seu Pop Rock Alternativo.
Novo Fangueiro – Durante a tua licenciatura em Design da Comunicação, fizeste Erasmus em Inglaterra? A música deixou de ter lugar durante 12 meses?
Carluz Belo – Sim, em 2005 fui para Inglaterra fazer Erasmus, e lá a música também não ficou à parte. Durante esse tempo participei no coro de Gospel da Universidade Coventry, e foi quando comecei a pensar seriamente que lugar teria a música, após o final do meu curso.
Foi curiosamente, em Inglaterra, que comecei a escrever a música “Cavaleiro da Manhã”. Esta música tem como significado a saudade da pessoa que está fora da sua terra.
Novo Fangueiro – Quais são as tuas expectativas em relação ao Festival da Canção?
Carluz Belo – Dar o melhor de mim e da minha equipa a todos os portugueses. Honrar a canção.
Novo Fangueiro – Sentes que já tens pessoas que te apoiam? Que mensagem lhes envias?
Carluz Belo – Um enorme Muito Obrigado! Tem sido incrível o apoio que me têm dado. Espero estar à altura das vossas expectativas e do evento em si! Vou dar o máximo por dignificar a mensagem que a “Cavaleiro da Manhã” transmite! Já sabem, votem na Canção Nº 2! Muito Obrigado!