Fechar

VICTOR MORAIS

Entrou para a Marinha em 1997, e hoje, com 27 anos, é Cabo Marinheiro, estatuto que atingiu em Dezembro de 2005.
Falamos nesta edição com o jovem fangueiro Victor Hugo Neiva de Morais, que partilha connosco o seu percurso e o modo de vida de que tanto se orgulha. Defende que para ser Marinheiro é necessária uma aptidão natural e gostar sempre do trabalho que se faz.
Depois de vários anos embarcado, está neste momento a prestar serviço na Esquadrilha de Helicópteros da Marinha, situada na Base Aérea n.º 6 no Montijo. Profissão que o obriga a estar longe de Fão, mas como diz o ditado “quem corre por gosto…”, e é poucas vezes ao ano que tem a oportunidade de rever a paz e sossego fangueiro, dos quais sente Saudade.

Novo Fangueiro – Como surgiu a ideia de concorreres para a Marinha?
Victor Morais Surgiu por brincadeira, numa simples conversa entre mim e um colega. Decidimos os dois concorrer à Marinha e eu entrei e ele inicialmente não.
Quando concorri escolhi três áreas (comunicações, abastecimentos e taifa) e entrei para a minha primeira opção que foi comunicações.


NF – Qual foi a trajectória até te tornares Marinheiro?
Victor Morais Comecei por realizar os testes psicotécnicos no Centro de Recrutamento e Selecção da Marinha, em Alcântara. Passei esta fase e foi em 10 de Novembro de 1997 que me fui apresentar.
Nesse mesmo dia ingressei na Escola de Fuzileiros, para fazer recruta, onde estive durante um mês e uma semana.
Tirei inicialmente o Curso de Grumetes de Comunicações no grupo nº2 de Escolas da Armada. Assim, passados 3 meses foi-me atribuído o estatuto de 2.º Grumete.
Ao fim de 1 ano cheguei a 1.º Grumete e só mais tarde fui promovido a Cabo


NF – Como têm sido as tuas embarcações? Gostas mais de estar a bordo ou em terra?
Victor Morais Embarquei em 1998 no fim do Curso de Grumetes de Comunicações, numa corveta que estava em reparação, durante 4 meses. Fui depois para uma patrulha onde permaneci até 2000. Nesse mesmo ano, em Fevereiro, iniciei a Especialização em Comunicações (10 meses). No final de 2000, embarquei na Fragata N.R.P. "Corte Real" onde permaneci durante 5 anos e 3 meses, saindo em 2005 para a Fragata N.R.P."Álvares Cabral". Saí aquando da minha promoção a cabo.
Gosto mais de estar embarcado. Já estive embarcado vários anos e o ambiente a bordo é completamente diferente do ambiente em terra, navegar é “5 estrelas”, e além de tudo isso gosto muito daquilo que faço, adoro o meu serviço.


NF – Quais são os melhores e piores aspectos de ser Marinheiro?
Victor Morais O melhor é ter a oportunidade de trabalhar naquilo em que gosto, conhecer muitas coisas novas, muitos países, muitas culturas e usufruir e viver toda a camaradagem que existe a bordo.
O pior é sem dúvida a ausência da minha família, e por exemplo perder muitos momentos e fases especiais da minha vida familiar.


NF – Já alguma vez pensaste em desistir?
Victor Morais Nunca!

NF – Qual foi a 1.ª Imagem da Marinha?
Victor Morais Como em qualquer trabalho novo, existe um período de adaptação. Era tudo novo para mim, não conhecia nada nem ninguém. Mas penso que o primeiro “impacto” que tive, a primeira imagem que fica é aquela chamada “disciplina militar”, mas rapidamente me adaptei.

NF – Se estivesses a começar tudo de novo, voltarias a tomar a mesma opção de vida?
Victor Morais Sim, com certeza que sim. É como eu digo, para além de me proporcionar uma enorme estabilidade, eu gosto bastante daquilo que faço.
Sabendo o que sei hoje voltaria a repetir tudo, foi a melhor opção que fiz na Vida.


NF – Como é estar longe de Fão? Quais as diferenças que encontras quando cá vens?
Victor Morais Estar longe de Fão é estar longe desta Paz e Sossego Fangueiro.
Eu tento acompanhar sempre Fão através do Novo Fangueiro Online, e através das conversas telefónicas com a minha mãe, claro. Eventualmente quando cá chego, sinto sempre mudanças. Tanto as físicas, como é o caso da construção dos passadiços do Parque Natural Litoral Norte, da inauguração do novo Estádio, etc., mas também a nível das pessoas, pois as da minha geração seguiram diferentes rumos, tendo a maior parte delas emigrado. A maior parte das pessoas da minha idade estão no estrangeiro.


NF – O que mais ambicionas para o teu futuro?
Victor Morais Não tenho em mente nada em especial. Poderia subir de posto se frequentasse um curso de formação para Sargentos, mas não faz neste momento parte das minhas opções.
Neste momento, não me vejo a desempenhar outras funções, sinto-me muito feliz com aquilo que faço!