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RITA MACHADO

Formada em Psicologia Clínica pela Universidade Fernando Pessoa do Porto, a jovem fangueira Rita Cubelo Torres Machado, exerce a sua profissão num Colégio de Acolhimento para crianças em risco, desde Outubro de 2003. A Rita tem 29 anos, e nesta edição contou ao Novo Fangueiro um pouco do seu percurso e actividade.

NF – Conta-nos um pouco da tua história, vida académica, da tua ainda curta carreira e do teu trabalho actual.
Rita Machado Eu sou de Fão, nasci a 10 de Abril de 1978.
Depois de fazer o ensino secundário em Esposende, entrei em 1997 para Psicologia Clínica na Universidade Fernando Pessoa no Porto, concluindo a licenciatura em 2003.
Desde o estágio em Viana do Castelo, já dei consultas privadas, dei também formação profissional na área e exerço num Colégio de Acolhimento de crianças em risco em Braga.
O meu trabalho é um pouco exaustivo, uma vez que trabalho numa área bastante complicada. Com estas crianças estamos perante várias vertentes a ser trabalhadas: a cognitiva, a emocional e a comportamental. .


NF – Quando é que decidiste a aérea profissional que querias para ti?
Decidi que queria seguir esta área no 12.º ano, foi o primeiro ano curricular no qual tive contacto com a Psicologia, já anteriormente era uma das áreas que me agradava.

NF – Ages em alguma área de actuação profissional em particular?
Neste momento na área de Psicologia Clínica, actuo na área de crianças e adolescentes. Já o estágio que realizei em Viana do Castelo, foi no Serviço de Pediatria.

NF – Qual é a tua filosofia de trabalho?
Penso que a minha filosofia de trabalho consiste fundamentalmente pela intervenção ser centrada na pessoa (neste caso na criança), mas sempre com o devido cuidado para não se misturarem afectos de ambas as partes.
Obviamente que num contexto mais informal, em determinadas actividades que tenho com eles, haja uma atitude mais “próxima”, mas é elementar que haja respeito, pois para que acreditem em mim devo manter aquela figura forte, uma figura de “pilar” para eles.
Tenho que ter cuidado em termos afectivos, quer da minha parte, quer da parte deles, tenho que conquistar a confiança deles para que confiem em mim, mas sempre com aquela distância. Deverei ser uma referência, mas não se podem ligar afectivamente a mim.
É necessário que haja esse tal filtro, quer para mim própria a nível pessoal, pois é bastante complicado viver na nossa vida pessoal os problemas de cada um deles, e para eles não poderei criar dependência, pois daqui a um ano, por exemplo, poderei não ser eu quem esteja a acompanhar essa criança.

NF – O que tem sido mais estimulante na tua actuação profissional?
Sem duvida que é ver as melhorias e progressos no paciente. É notar as mudanças positivas ,sentir o impacto na vida das miúdas.

NF – É difícil ajudar o outro quando nós é que estamos com problemas?
A melhor coisa que se deve fazer, se achar que não se está bem, é se possível, adiar a consulta, e por exemplo trabalhar de outra forma, como fazer os relatórios ou planificações, para que de modo algum a criança se aperceba que nós não estamos bem.
Devemos separar a vida pessoal da profissional. Isto em qualquer trabalho, mas neste caso, trabalhando com pessoa isso é fundamental.

NF – Nos dias de hoje, do modo que está o mercado de trabalho, como está a situação para os psicólogos? Na tua opinião, de que modo é que caminham as coisas?
Muito mal. Acho que há muito trabalho mas não se criam as vagas.
Por exemplo para as escolas existe a lei que diz que é aconselhável um psicólogo para acompanhamento. E nos hospitais ou há um ou não há nenhum.
Quero acreditar que as coisas vão melhorar porque infelizmente há cada vez mais adolescentes problemáticos. Piorar já não é possível, dada a situação a que se chegou.

NF – Quais são os obstáculos mais comuns para o estabelecimento de um consultório de psicologia?
Em primeiro lugar está o termo monetário.
A partir daí passa também pela angariação de pacientes. As pessoas não encaram a psicologia como forma de resolver os problemas. O motivo disso, é a inexistência de um Serviço Nacional de Saúde com serviços rápidos sobretudo, e há longas listas de espera, por isso têm de recorrer ao particular e isso exige custos difíceis de suportar.

NF – O que é necessário para ser um bom psicólogo?
Primordialmente tem de gostar muito daquilo que faz!
Sinceramente acredito que temos que ter a nossa vida pessoal bem resolvida. Temos de estar estáveis emocionalmente para ter as devidas competências para ajudar os outros.