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O dia internacional da mulher

Comemorou-se no passado dia 08 de Março o dia internacional da mulher.

Confesso que não sou muito adepta desta mentalidade, “dita moderna” que professa que as mulheres devem aceder e intervir em todos os campos de intervenção dos homens.

Chocam-me e acho até deprimentes as políticas de privilégio e distinção, como é o caso das quotas para as mulheres acederem a determinados cargos e planos de intervenção, quer a nível político, quer a nível profissional, quer a nível social.

Chocam-me, pela simples razão de que acredito e sinto que a mulher, enquanto ser, não é, em nada, inferior ao homem, enquanto ser. Ambos, pertencem à mesma espécie e por isso, partilham das mesmas capacidades intelectuais.
Gosto de ser mulher por todas as vivências que, a nossa existência enquanto tal, nos permite experimentar.
Em nada sinto necessidade de me comparar aos homens, ou invadir o seu espaço de intervenção e de vivência, porque entendo que, também, os homens têm pela sua própria natureza vivências, posturas e reacções que lhe são próprias e experimentam, por isso, uma realidade diferente da das mulheres, pela simples razão de o serem - homens - simplesmente, homens.

Acredito que a diferença entre o homem e a mulher começa e acaba na diversidade do sexo. Para além do sexo, não consigo alcançar diferenças significativas entre o homem e a mulher.

Não tenho a mais pequena dúvida de que é mais determinante para a formação da personalidade de um ser humano a comunidade em que ele se insere, nomeadamente, os padrões culturais do seu grupo social, os comportamentos padrão do grupo e as suas tradições, do que facto de ser homem ou mulher.

Aliás, basta compararmos as diferentes comunidades e o comportamento padrão de cada uma delas para perceber que, embora todas sejam composta por homens e mulheres, em cada uma delas o homem e a mulher têm comportamentos que se padronizam e lhes são admitidos, impostos ou inaceitáveis, pelo enraizamento de convicções que determinam, não apenas, o comportamento de cada membro, mas também a expectativa colectiva, sobre o comportamento de cada membro do grupo em face de cada acontecimento ou realidade, daí se gerando o juízo social de censura ou louvor perante cada comportamento.

Felizmente, vivemos num tempo e numa comunidade onde nos é permitido sermos nós próprios, com toda a responsabilidade que daí advém. Não necessitamos, por isso, de agir contra, ou omitir, os nossos princípios, valores e convicções.

A liberdade e autodeterminação de cada um de nós deve, no entanto, ser limitada pelo dever de respeito pelo outro, da sua dignidade e autodeterminação, por uma questão de civismo e igualdade.

Enquanto mulher que sou nunca, me senti diminuída, nem impedida de lutar pelos meus sonhos, objectivos e ambições. Entendo que o limite do nosso sucesso é muitas vezes determinado pelo limite das nossas capacidades e pela determinação que colocamos nas coisas que fazemos.

Sermos bons ou não, termos acesso ou não a desempenhar determinada tarefa, acedermos ou não a determinados lugares, depende muito da nossa alma, da vontade de que isso se concretize e do empenho que dedicamos às coisas que temos em mãos.

De facto, há pessoas que querem mais uma coisa do que outras, ou, mesmo não a querendo particularmente, fazem mais para alcança-la do que aquelas que dizem que a querem muito e é por isso que algumas vezes vemos as oportunidades fugirem-nos das mãos.

O problema da mulher na nossa comunidade é muitas e na maior parte das vezes um problema de falta de confiança e falta de amor próprio. Tudo porque as pessoas são educadas com preconceitos e são-lhe incutidas verdades preconcebidas, que acabam por tornar-se autenticas barreiras para além das quais o seu pensamento não ousa transpor.

Nasci em Fão, no dia 18 de Abril de 1977, tenho actualmente quase 29 anos e sinto-me feliz por ter nascido nesta terra, onde, possivelmente por força da sua grande vertente turística, as pessoas se habituaram a ter um pensamento aberto e actual.

O facto de ter nascido, ter sido educada e criada em Fão e aqui ter vivido, até 2004, não foi para mim, nunca, um entrave.

Aliás, o facto de ser mulher não me impediu de até hoje ir realizando os meus sonhos, como por exemplo o de tirar o curso de Direito e ser advogada, na época a primeira advogada de Fão, mesmo sendo a advocacia uma profissão que em tempos era exercida, apenas, por homens.

O facto de ser mulher não me impediu de ter participado activamente na acção política e social tanto a nível concelhio, como distrital e mesmo nacional. Fui durante cerca de quatro anos Presidente da Comissão Política Concelhia de Esposende do CDS-PP, fiz e faço parte da Comissão Política Distrital, fui Conselheira Nacional do Partido, sou membro do Conselho Nacional de Jurisdição do Partido, sou, actualmente, Presidente da Mesa do Plenário Concelhio do Partido, fiz parte do XXIV Governo Constitucional, como Adjunta do Secretário de Estado Adjunto do Ministro da Justiça, tudo isto, enquanto exercia profissionalmente a advocacia, a minha actividade profissional de formação e opção.

Em todos os cargos e desempenhos que tive, ate à presente data, o facto de ser mulher nunca me constrangeu, no entanto, a verdade é só uma, é que, ainda, não sou mãe e, por isso, não sinto necessidade ou obrigação de abdicar de uma série de coisas que faço. Acredito, no entanto, que o facto de ser mãe possa levar as mulheres a ter uma atitude diferente perante os desafios a que se propõe, porque o facto de serem mães se sobrepõe a tudo o resto e de facto não há grande possibilidade de conciliar muitas actividades com a maternidade.

Creio que a maternidade acaba por compensar e realizar de tal maneira as mulheres, que as faz perder ou secundarizar uma série de objectivos, quanto mais não seja, pela incompatibilidade entre as exigências da maternidade e do desempenho a que os ditos objectivos obrigam.

Enfim, aproveitando para dar o meu ponto de vista da minha condição de mulher da qual muito me orgulho, aproveito, ainda, para lançar um apelo:

As reivindicações que muitas mulheres fazem, ainda, hoje, seriam desnecessárias se educássemos de forma diferente as nossas crianças.

Quantas das mulheres da minha geração não se lembram de ter um irmão, ou um primo que mal acordava, tomava o pequeno almoço e ia logo brincar, enquanto, nós ou a irmã, que acordava ao mesmo tempo, tinha que fazer a sua cama, fazer a do irmão e depois de ajudar a arrumar a louça é que ia, também, brincar, logo voltando para ajudar na tarefas domésticas.

Quantas mulheres da minha idade se recordam de ver os pais ou os tios dar dinheiro ao irmão ou ao primo para eles saírem e elas, nem podiam sair, quanto mais ter semanada, ou lá o que fosse.

É exactamente essa cultura a que assistimos e fomos habituados, que temos que mudar, pois só ela gerou o machismo que ainda hoje se sente e, infelizmente, vigora em muitos lares de jovens casais em prejuízo das mulheres e da sua condição.

Até uma próxima oportunidade.