O Natal
-Mãe, quando eras pequena, também achavas que o Natal chegava e passava num instante? - Pergunta a Beatriz à mãe.
- Não filha, pelo contrário, eu vivia o ano inteiro a pensar na chegada de festas especiais que marcavam muito a nossa vida. Era o Natal e a festa do Senhor Bom Jesus de Fão. - Diz a mãe.
- Só duas festas no ano mãe? E nós agora temos tantas! Parece-me que estamos sempre a festejar qualquer coisa…E mesmo o Natal começa muito cedo a preparar-se! São os ensaios para a festa da escola, do ballet, da ginástica, do piano… e depois…ainda o dia do Natal não chegou e eu e mana já fomos a tantas festas de Natal!
- Pois Beatriz, mas sabes, nem sempre foi assim. Eu lembro-me de esperar ansiosamente por estas festas para “estrear a roupa nova”. E no Natal… Ah, no Natal! Bem, havia a aletria que só a avó sabia fazer e havia aquela alegria, simples e sincera…e…havia a prenda! Era uma prenda, uma única prenda que aparecia no sapatinho que deixava fora do quarto na noite de Natal. Era a boneca, a boneca com que brincava o ano inteiro!
- Uma prenda mãe? Mas essa era a prenda do Pai Natal, e as outras? A da mãe, do pai, dos tios, dos primos, dos avós, dos amigos, da escola, do trabalho da mãe, do trabalho do pai, enfim as outras todas? - Pergunta a Beatriz espantada.
- Pois filha, acho que só mesmo o Pai Natal é que podia dar prendas quando eu era criança!
- Oh mãe, sabes que eu, apesar destas festas todas, gosto mais, é da festa da família e da prenda do Pai Natal?! Mas alguns meninos dizem que já não têm essa prenda, porque será?
- Filha, então tu não sabes? É porque já não acreditam no Pai Natal…O Pai Natal só dá aquela prenda aos meninos e meninas que continuam a acreditar nele. É por isso que essa prenda sempre existiu e existirá para todos as crianças que acreditam e que mantêm vivo o espírito natalício, cheio de fantasia e esperança!