Fechar

O Turismo em Fão

Sendo o turismo um dos mais extraordinários veículos económico e social da nossa era, ele deverá influenciar cada vez mais a vida e a prosperidade dos povos em geral e os deste concelho em particular, que tem brilhantes perspectivas de crescimento.

O turismo é um fenómeno recente que teve o seu Boom à escala internacional nos anos sessenta. Fão, através da marca Ofir, viveu também o seu apogeu nesse período que durou até princípio dos anos setenta. Quantos laços de amizade se criaram com turistas nessa época. Esse turismo, muito sazonal, evoluiu ao longo de pouco mais de uma década, alicerçado em modelos de desenvolvimento improvisados, centrado no sol e praia e muito dependente do mercado Inglês.

O surgimento de outros destinos concorrentes, nomeadamente o Algarve, por um lado e o regresso em 1975 de muitas centenas de milhar de Portugueses das Ex-Colónias, por outro, ocupando e esgotando a capacidade hoteleira existente por um período de vários anos, prejudicou irremediavelmente esta indústria na nossa terra. Fão/Ofir passou então a ser ignorado como destino turístico internacional. Eu diria até, que essas ondas de choque ainda hoje se fazem sentir entre nós.

Actualmente a gestão do turismo baseia-se em modelos de desenvolvimento sustentado. A sazonalidade é inimiga da sustentabilidade e o turismo de sol e praia só por si não satisfaz aquela premissa. Esta indústria deve ser forte, profissional, lucrativa e pensada para todo o ano. Por outro lado, o turista tem novos comportamentos e motivações. Agora o turista procura experiências novas e únicas. Então, a oferta deverá responder com diversidade e inovação. Hoje os destinos turísticos vendem sensações. Se o turista valoriza o património local, o destino deverá preocupar-se com a preservação da natureza, com a defesa da herança cultural, com o engrandecimento do património material, etc..

O turismo tornou-se mais abrangente, não podemos ficar a olhar para o nosso umbigo. Coloca-se um problema de escala. Fão ou até mesmo o concelho de Esposende deverão enquadrar-se numa área mais vasta. Geograficamente, estamos no coração do triângulo compreendido entre Porto, Braga/Guimarães e Viana do Castelo, a pouco mais de meia hora da Galiza e do Gerês e a uma hora do Douro vinhateiro, ocupando uma posição estratégica invejável.
Se aliarmos à excelente localização a beleza com que fomos dotados, diria que estarão reunidas as condições básicas para podermos aspirar a ser um destino turístico de excelência. Então que falta?


Há um factor não menos importante para o sucesso desta indústria, o profissionalismo. A competência nos serviços faz-se com recursos humanos qualificados e estes, fazem-se nas escolas. A formação é hoje, mais do que nunca, um factor crítico de sucesso e pode fazer a diferença, quer para quem nos visita, quer para quem quer investir. È conhecida a competição entre regiões, autarquias ou mesmo localidades para o aliciamento de empresas ou empresários a investirem no seu território. A qualificação dos seus profissionais é deste modo um factor, muitas vezes determinante, nessa escolha. Temos escola de turismo na nossa terra e Pós-graduações em Esposende. Com a falta de colocação de tantos licenciados, quiçá, uma especialização no sector, não possa ser um contributo decisivo no redireccionamento da actividade profissional.

Esta indústria, da Paz, exige o envolvimento de todos nós para garantia de êxito deste destino turístico que é Ofir. Está a ser criado um projecto para um Plano Estratégico de Desenvolvimento do Turismo no Concelho. É tempo de traçar novos rumos e apostar no futuro.




Adelino Carvalho do Vale