Fechar

A propósito do Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza…

Pela primeira vez na história da Humanidade, o número de pessoas que passam fome alcançou os mil milhões, ou seja, 15% da população mundial. Sim, leram bem, são Pessoas! Números revelados por um Alto Dirigente das Nações Unidas.

É um flagelo que atormenta os nossos dias…

E no nosso País, haverá quem passe fome?
Não fiquemos indiferentes…falemos do assunto!

Portugal é o país da Europa com maior desigualdade entre ricos e pobres.

Dados revelados a propósito de no passado sábado se assinalar o Dia Internacional pela Erradicação da Pobreza apontam Portugal como o país da Europa em que o fosso entre ricos e pobres é maior.
A pobreza, em Portugal, é um problema social grave e o seu não reconhecimento tem-se revelado, ultimamente, um dos maiores entraves à sua erradicação.

Atentemos aos factos:

-1 em cada 5 portugueses vive no limiar da pobreza (21% da população total);
-12.4% da população activa (5531.6) ganha o salário mínimo nacional (450€);
-7,2 % da população activa está desempregada; em 2003, mais de 5000 trabalhadores tiveram o seu trabalho reduzido ou suspenso;
-26,3% dos reformados recebe menos de 200€/mês de reforma;
-147 332 recebem o Rendimento Social de Inclusão (151,84€);
-79,4% da população activa não terminou o ensino secundário
-45,5% da população, em idade escolar, abandona de forma precoce a escola
-Taxa de Analfabetismo, em 2001, era 9,0% da população
-300 mil famílias (8% da população) viviam, em 2001, em habitações sem condições mínimas
-Em relação aos dados de 1999 e 2000, há um agravamento de 20 a 25% da situação de pessoas sem-abrigo.

Eis a realidade nua e crua! No nosso Portugal também há quem tenha que recorrer à boa vontade de outros para sobreviver, aos restos que outras pessoas não querem ou desperdiçam e que enchem os caixotes do lixo.
A fome é “sinónimo” de pobreza, de falta de recursos, falta de um bem essencial para a vida. Felizmente que os nossos números são quase nulos em comparação com outros países do Mundo e mesmo da Europa, tudo porque somos um país geograficamente pequeno, onde principalmente nos pequenos meios todos se conhecem e caso haja necessidade todos se ajudam. Temos sim, dois grandes centros urbanos (Lisboa e Porto) onde se encontram muitos sem abrigo, muita gente que recorre a instituições de ajuda e solidariedade social.
Falamos de Instituições como a Legião da Boa Vontade, o Centro de Apoio aos Sem- Abrigo, o Coração da Cidade, os Vicentinos.
São estas instituições, que através do trabalho voluntário de pessoas que de alma e coração percorrem as cidades a alimentar quem tem fome. E há também algumas instituições com cantinas onde qualquer pessoa pode valer-se nas horas do almoço e do jantar para poderem comer aquela “tigela de sopa quente” que lhes aquece o coração e os faz esquecer a realidade do dia-a-dia.

Mas será esta a melhor maneira de tentar acabar com a fome?

Dar de comer a quem tem fome em troca de nada, alimentar todos os dias as mesmas pessoas sem que para isso tenham que desempenhar alguma tarefa, algum trabalho. O que acontece é que as pessoas depois acomodam-se a este tipo de vida, a este ritmo, a esta boa vontade e tornam-se um custo para a sociedade.
A fome designa-se pela situação em que uma pessoa fica, durante um período prolongado, carente de alimentos que lhe forneçam as calorias (energia) e os elementos nutritivos necessários à vida e à saúde do seu organismo. Esta é uma realidade vivida por muitos países subdesenvolvidos, países em crise, países que saíram ou ainda vivem em clima de guerra. Milhares de crianças sub-nutridas, que morrem devido à escassez de alimentos para subsistirem.

As políticas Europeias e Mundiais deveriam sim focalizar-se em estudar e depois pôr em prática medidas que pudessem reduzir os números da fome…até lá…Haja a boa vontade!


Vera Silva