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“Reflexão sobre associativismo"

Como é sabido, desde tempos imemoriais que o homem sentiu a necessidade de se aliar a alguém para efectuar as mais diversificadas tarefas, numa perspectiva de entreajuda indispensável ao seu desenvolvimento.

Na execução dos mais simples projectos aos mais sofisticados empreendimentos, sempre esteve subjacente a ideia de associação entre pessoas, para colaborarem nas mais diversas áreas, como objectivo de complementaridade.
È certo que, em tempos remotos, com povos menos organizados os vínculos firmados no campo do social eram imperfeitos e com eficácia prática muito reduzida, como seria óbvio. Mas hoje em dia, com leis cada vez mais aperfeiçoadas, onde as regras tendem a ser cada vez mais consonantes com as realidades existentes, o homem evoluiu de forma desmesurada, mas sempre coligado em parcerias.
Concluímos assim que em todas as vertentes do desenvolvimento, esteve presente o associativismo de forma mais ou menos perfeita e com estatutos adequados ao meio em que se inseriam.
Assim tem sido em Fão que dispõe de várias instituições, algumas bem emblemáticas, a atestarem a capacidade associativa, essencialmente devotadas à área do humanismo e da solidariedade que se exerce de forma bem abrangente. Há algumas dezenas de anos que me habituei a ouvir falar do bairrismo do Povo de Fão, notoriamente reconhecido pelas terras vizinhas, onde o pensamento logo se traduzia em acção, porventura até invejada. Foi consensual, durante muitos anos, que Fão possuía muitas coisas que outras terras não tinham, graças ao bairrismo e capacidade de actuação. Hoje diz-se que “ Fão morreu “, ou que “ não tem vida “, que é a mesma coisa.
Poderíamos questionar das razões que suscitam o comentário mórbido de que Fão morreu, mas levar-nos-ia muito longe a análise que induz algumas pessoas a descrerem das suas capacidades. – Mas o que é que elas fazem ou contribuem para melhorar ?
Aqui está o ponto fulcral da minha reflexão. Não queria aceitar tacitamente o conformismo, nem tão pouco acreditar que o espírito associativo de Fão falhou e que deu lugar à passividade, ao egoísmo exacerbado ou ao comodismo individual do “ quem quiser que faça “. Então teríamos que admitir que o associativismo alicerçado no mais puro sentido bairrista Fangueiro acabou.
Noto, contudo, que as motivações para continuarmos a manter certas tradições que caracterizavam Fão estão a dissipar-se, especialmente no que concerne à cultura. Por isso ocorre-me perguntar: - Fão não evoluiu, em termos de cultura geral de forma substancial ? – A quem serve e ao serviço de quem está associada essa bagagem cultural que ignora um passado que valeu a pena ter-se vivido ? – Porque não se realiza nos grandes projectos por forma a continuarmos a merecer a credibilidade de outros tempos?
Há muito para fazer, falta iniciativa para congregar vontades. A tecnologia permite-nos que nos possamos unir cada vez mais intensamente e não nos isolarmos ou dispersarmo-nos no supérfluo.
Quero deixar uma palavra de incentivo ao jornal via on line “ Novo Fangueiro “, que dá um ar de modernidade e um exemplo a seguir em termos de união de todos os Fangueiros.
Termino com alguns apelos: Mantenhamos as nossas tradições associativas, participando nas nossas instituições, para não terem que ser sempre os mesmos; Recuperemos aquilo que foi apanágio de um Povo que evoluiu também, mas que pode valorizar-se pelo seu saber; Abdiquemos de algumas comodidades e pensemos que não nos assiste só o direito de criticar por prazer.
Quando intrometermos a ideia de que cada um pode ser útil nas mais diversas vertentes do social, então tenhamos a convicção plena de que o associativismo foi, é e será sempre o motor dessa mesma sociedade em constante evolução.