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Um Brasil saudoso de Fão

Se me permitem a introdução, é com enorme prazer que escrevo estas singelas palavras para este jornal digital, eu que já vou “escrevinhando” para outros jornais locais do concelho. Penso que todos ou quase todos os fangueiros conhecem o Alberto “Cabeleireiro”, que com a sua guitarra tem feito parte das orquestras, que tem acompanhado as Revistas, Noites Fangueiras, Vias Fado e outros espectáculos de variedades.

E que boas recordações me ficaram desses convívios e daqueles que tocavam comigo, como o Mário Belo, Barbosa, António Solinho, António Torres e Gomes Morais. Estes ainda no “activo”, mas outros já partiram para o infinito como o “Nè Glória”, Américo Carvalho, , João Faria e o João Barcelista, que muitas vezes me dizia que “o peixe bom não caia sua rede” (Mas isso era outra música).

Tenho como segunda “pátria” Fão, porque nasci em Esposende e caso curioso, 90% das pessoas, mesmo de Esposende, julgam que eu sou de Fão. As minhas raízes são todas de Fão e em Esposende dizem-me muitas vezes “Fui à tua terra” ou “Venho da tua terra”, o que eu aceito com prazer. Pertenço ao grande clã dos “Francisca Rosa” e “Cardoso” e a minha mulher e meus filhos também são de Fão. Fui “apanhado” para esta pequena crónica, pois a malta deste espaço soube que eu tinha ido ao Brasil e estive lá com vários familiares, muitos deles de Fão.
Vou falar-vos dessa minha viagem e do reencontro com 4 fangueiros que há muitos anos rumaram ao Brasil em busca de melhor vida e roídos de Saudade têm Fão no pensamento e no coração.
Foi com enorme emoção e lágrimas nos olhos, que uma fangueira de gema há muitos anos radicada no Rio de Janeiro, viu em DVD uma Noite Fangueira “”Saudade, Passado e Fão” e a revista “Toma Lá Mais Esta”, que a fez ir ao “sótão” das suas recordações, da sua meninice passada em Fão. Estou a falar da Mira Fráguas, que desatina quando alguém fala da Praia de Ofir. Diz ela:-“Ofir é o nome do Hotel! A praia é de Fão! Pediu mesmo para dar recado aos “fazedores” do Novo Fangueiro para nunca escreverem Praia de Ofir, mas Praia de Fão e mais nada.
Outro fangueiro ferrenho com quem me encontrei na “Casa das Aldeias de Portugal” e que aproveitou para pôr “a escrita em dia”, sobre a actualidade de Fão e Esposende foi o bairrista Maximino, a quem não soa bem “aquela coisa” de Escola Profissional de Esposende, estabelecida nas Escolas Amorim Campos, que foi assim que ele conheceu, desde que rompeu os fundilhos das calças nas carteiras da velhinha escola.

Na Praça dos Cavalinhos na Tijuca, uma zona muito bonita e comercial, fui encontrar outro fangueiro bastante saudoso do Ramalhão. O “cara” já bateu os oitenta e para os amigos e quem o conheceu é o “Neca Paralta” (Manuel Cardoso dos Reis), que se encontra bem fino e fresco. O Neca, que por sinal é meu primo e que já não via há muitos anos, tem “batente” na Tijuca e faz gosto em receber os conterrâneos de visita ao Brasil no seu “Bar do Neca”. Na fachada ostenta isso mesmo e no balcão lá está o Neca. Quem visitar o Rio, passe pela Praça dos Cavalinhos e visitem esse fangueiro, que ele agradece, porque como ele diz, ter visitas de gente de Fão é sentir-me no meu Fão!
Finalmente vou falar-vos do meu encontro com outro fangueiro muito saudoso e feliz por receber visitas da sua terra. O Rafael “Praticante” lembrou-nos o Fão e as Pedreiras do seu tempo de criança e como ainda jovem atravessou o Atlântico, deixando para trás um mar de recordações. Em Madureira tem a sua casa de modas “Store Jeans”, numa galeria de muito movimento. Ao balcão da sua loja pude presenciar a forma delicada e atenciosa como atende os seus clientes. Todos estes fangueiros, mostraram o grande amor que sentem à terra onde nasceram, as saudades enormes e quanto suspiram por cada “naco” de notícias, que neste espaço cibernauta bem podem mitigar.
E por aqui me fico, certo de que estarei sempre disponível para voltar a falar dos elos que ligam Fão e as pessoas do presente e do passado.


Alberto Cardoso