Crónica de uma paixão inesperada
Falaram-me “dele”...
E quando o vi, fiquei…
Bom, tudo começou assim …
Sou Vianense de “gema”, habituada à vida citadina, mais movimentada, mais agitada, rodeada de tudo e de todos.
Habituada a ter um centro histórico “rico” no seu património arquitectónico, a ter o Monte de Santa Luzia onde podemos vislumbrar toda a cidade e uma grande extensão da área circundante a Viana, inclusivé Fão e as torres de Ofir, as praias, o jardim à beira rio, o museu, a nova biblioteca projectada pelo tão conhecido arquitecto Siza Vieira, a sala de teatro Sá de Miranda, os cinemas, os barzinhos, os cafés, o “shopping“ e não menos importantante, muito pelo contrário, habituada a ter a minha família e os meus amigos sempre por perto. Enfim, diferente de Fão…
Contudo foi também isto, que certo dia nos levou, a mim e ao meu marido, a procurar um apartamento para ir passar os fins-de-semana mas que não ficasse longe de Viana, um local que fosse aprazível, perto do mar, que fosse rodeado não de prédios ou de grandes confusões… queríamos sim, um sítio que nos encantasse, quer pela sua História, pelos seus habitantes, pela natureza, pela magia de um ar que nos fizesse sentir parte integrante desse lugar, como se estivéssemos na nossa terra…
Mas como encontraríamos esse lugar? Esse lugar, que satisfizesse todos estes nossos desejos… pensámos que provavelmente não existiria um lugar tão perto e tão especial para termos o nosso cantinho aconchegante… Acho que estávamos a ser um pouco exigentes quanto aos nossos requisitos, mas sonhar é tão bom, porque não pensar que existia essa terrinha encantadora que nós idealizávamos?
Ao mesmo tempo pensávamos como seria a casa nova, como iríamos decorá-la, como e quem seriam os nossos vizinhos, enfim, mil e um pensamentos, mil e uma ideias, parecíamos crianças irrequietas, como se estivéssemos à espera que nos dessem um rebuçado…
Até que começamos a pensar em locais que poderiam abranger tudo aquilo que nós desejávamos, havia alternativas mais ou menos interessantes, mas de todos lugares, aldeias e vilas que fomos ver, Fão, foi sem dúvida alguma, o lugar eleito para criar o nosso cantinho e passar os fins-de-semana, que entretanto, passou a ser o local para vivermos (para já) permanentemente, ou seja, invertendo assim de momento o nosso plano de vida.
Confesso que no inicio estava com receio de não me habituar a estar longe de todo o frenesim de Viana, mas passado dois anos, posso afirmar aos fangueiros com toda a minha convicção, que me apaixonei…
Apaixonei-me pela vossa vila.
Vila esta, que tantos fangueiros se queixam por já não ser o que era, uma terra que teve os seus momentos áureos, mas que agora é um local onde pouco ou nada mudou e deste modo sentem-se tristes e descontentes por ver assim Fão. No entanto, estes sentimentos são normais para quem cá vive desde sempre e que passou pelo crescimento desta vila, mas que a determinado momento estagnou e verificou que a mudança do ritmo de vida da vila abrandou... e a mudança é sempre difícil de aceitar, seja ela a que nível for…
Mas se pensarem bem, vocês não imaginam o quanto este lugar é maravilhoso, e que acaba por ter quase tudo ou mais do que uma cidade, tudo depende do que nós queremos para a nossa vida…
Eu vivi, 33 anos em Viana, e outros 4 noutra cidade, e como referi anteriormente, vivo cá há dois… Decidi que queria ter qualidade de vida, sentir o ar puro, não haver filas de automóveis para chegar ao emprego, sentir a magnitude da natureza, sentir que conheço os vizinhos, as pessoas que percorrem as ruas de Fão, sentir que já me sinto um pouquinho fangueira, sentir que estou entre “família”… É tão boa esta sensação, que não sei se me apetece voltar para a minha casa em Viana, mas o tempo o dirá…
Agora, quero desfrutar e conhecer melhor Fão, sim, porque apesar de estar cá a viver, existe muita coisa que eu ainda desconheço desta vila, desde a história, às tradições, às festas, os nomes das ruas, entre outras tantas coisas…
E é aqui, que eu volto ao início da minha crónica, quando me falaram sobre “ele” e quando o vi… Posso dizer-vos que fiquei fascinada, que “ele” me iria com toda a certeza ajudar a descobrir e conhecer muito de Fão. É verdade, tem sido muito importante na minha integração na vida desta vossa terra, e agora não consigo passar sem “ele”, “ O NOVO FANGUEIRO ONLINE”. Durante este tempo que estou aqui a morar é como se fosse um amigo fangueiro, que me foi e vai ajudando na descoberta e na aventura de viver em FÃO… Quem teve esta brilhante ideia, assim como quem lhe dá vida, está de PARABÉNS!
E assim como surgiu “O NOVO FANGUEIRO ONLINE“, será que não se poderia criar/juntar um grupo diversificado de pessoas de variadas áreas profissionais, em que poderiam surgir ideias para dinamizar e dar a conhecer Fão? É que várias “cabeças juntas” pensam melhor que uma…Ou será que já existe, e eu desconheço?
Termino, agradecendo a simpatia dos fangueiros que conheço e que tão bem me tratam e de todos os outros que não conheço, mas que sinto que são boa gente (eu nestas coisas, é raro enganar-me, como diz a minha mãe…).
A todos muito obrigado e não se esqueçam de serem felizes na nossa terra!
Andreia Queirós Cid Fonseca