Fechar

O verão em Fão : The village that never sleeps

Os dias de Verão já aí chegaram e o movimento dos que visitam esta Vila já se faz sentir, pelo menos ao fim-de-semana. E são muitos os que procuram Fão para passarem esta época do ano, entre os quais me incluo, apesar de me considerar um verdadeiro Fangueiro à força de aqui passar uma boa parte dos meus dias há 28 anos.

Durante esse tempo habituei-me a respeitar as simpáticas gentes desta terra e a entrosar-me nos seus costumes que, afinal, não são muito diferentes dos das gentes de Guimarães.
Mas o tempo de Verão é realmente diferente em Fão. O Verão torna a Vila viva e movimentada quase vinte e quatro horas por dia com cafés, bares, pubs e discotecas nas quais se pode conviver sem a industrialização da noite, tão em voga nas cidades grandes e que por vezes tira mais do que o que dá a essas cidades.
A ser verdade que a ponte reabre no próximo dia 13 (porque nesta coisa das obras públicas as derrapagens não acontecem só nos orçamentos) teremos, então, um novo fulgor para a noite Fangueira.
No entanto, não é difícil passar uma noite agradável nesta Vila sem pegar no carro e calcorrear com gosto o que Fão tem para nos oferecer e vai sendo cada vez maior a oferta.
De facto, Fão já possui uma boa meia dúzia de restaurantes com um nível bastante aceitável, onde se come bem e se passa um bom tempo; tem cafés nos quais se privilegia o contacto prazenteiro com o cliente, procurando cada um dar um toque pessoal ao espaço; tem bares abertos até às quatro da manhã com música variada, para pessoas variadas e com um ambiente de fazer corar muitos “barões da noite”.
Enfim, Fão não passa ao lado de quem cá vem, ao contrário de muitas outras terras e até muitas cidades portuguesas que se reduzem a cidades fantasma durante o Verão.
A aposta no turismo é uma aposta claramente ganha. Quem viu Fão há 25 anos e quem o vê agora...
Agora não há que olhar para trás, nem fazer a figura do Velho do Restelo que na célebre epopeia camoniana renegava os descobrimentos e quem tinha o rasgo de se lançar em novas aventuras. Não há lugar para os velhos dos Marretas que faziam chacota de tudo e todos e para os profetas da desgraça que vêem em tudo o que é inovador um passo para uma qualquer desgraça.
Fão vale a pena e ninguém me vendeu aqui a banha da cobra. É preciso apostar na Vila, abrir novos espaços, sejam eles de entretenimento, de cultura, recreativos ou de outra qualquer índole. E, as mais das vezes, não é preciso gastar rios de dinheiro para se fazer uma obra digna de ser vista.
É evidente que o progresso tem os seus custos: o que se ganha em visibilidade, perde-se talvez em descanso; o que se ganha em movimento nocturno, perde-se talvez em descanso, mas o que se ganha em tempo de Verão, pode-se talvez também ganhar em tempo de Inverno.
Recuso-me a ver Fão como um dormitório para alguns mais abastados que vêm corridos da sua cidade Natal, do fumo, do trânsito, para aqui viver.
Fão é mais e tem de ser mais porque tem capacidade para isso e os Fangueiros têm fibra para o conquistar, tudo isto sem perder o necessário equilíbrio.
Veja-se o aparecimento das esplanadas na Vila neste tempo de Verão. Podem ter mais ou menos gente, mais ou menos qualidade, mas são claramente a demonstração que Fão está vivo e recomenda-se.
Não enfileiro, nem enfileirarei com aqueles que dizem que Fão está muito bem assim ou que Fão é isto e não dá mais. Fão está bem, mas pode ser muito melhor.
Para isso é suficiente, mas bastante que os Fangueiros se sintam na sua Vila, mas que a saibam oferecer a quem vem de fora. Que saibam, numa palavra, dar ou devolver à Vila o que esta lhes propiciou.
Porque não é numa qualquer cidade grande que podemos fazer a diferença e na qual seremos fatalmente mais um, é na nossa própria terra que devemos fazer obra e dá-la a conhecer.
Não se trata de desistir de ter uma vida melhor, trata-se de acarinhar a nossa terra, como muitos ou pelo menos alguns fazem com a sua própria. Trata-se de pôr de lado um egoísmo entorpecedor e dar lugar a um altruísmo rejuvenescedor.
Fão está no bom caminho, ousemos fazer desta terra uma Vila melhor.
Para isso podem contar comigo.



Rui Teixeira e Melo