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Escola Amorim Campos

Esta rubrica pretende mostrar o tempo. O ontem e o hoje e as diferenças que os separam… em imagens.
A aprendizagem das primeiras letras levou várias gerações a conhecer os assentos lustrados das carteiras da Escola Amorim Campos.
Aos pares, com os tinteiros em porcelana e os aparos apertados em ligeiros cabos de madeira, as imagens vão-se sobrepondo em rodopios de salas masculinas e femininas, o recreio arenoso sempre agradável, a palmatória estaladiça, a cana e as orelhas aquecidas pelos movimentos de vai e vem, o saudoso Professor Pio Rodrigues de indisfarçável atitude disciplinadora, a Professora D. Ida Eiras, de genética magreza e vinda da velha Quinta da Barca do Lago, por onde alguns passaram em misto de comissão e visita.
Talvez o retrato muito resumido de um princípio da década de sessenta, onde a bata assentava sobre pouca roupa e por vezes deslizava sobre a lousa preta e mal apagada riscada pelo regrão, resguardados em sacola de sarapilheira com fio a tiracolo.
Professores recordados e já cansados de ensinar gerações anteriores mas sempre em atitude de missão…
Para que hoje o nosso coração soubesse reler o companheirismo das primeiras letras, do primeiro livro, das primeiras contas, dos primeiros problemas, aquela pose colectiva de um branco uniforme sobre ligeira escadaria, em frente a um edifício doado por beneméritos, onde a estreiteza da estrada e o reduzido trânsito permitiam a ocupação despreocupada e com um olhar para o deslizar do tempo.

Tempo que ajudamos a construir e a imaginar a foto de hoje, com perfis paisagísticos pouco alterados e sem gente, um fenómeno repetível no casco urbano antigo da Vila, onde os automóveis e o alcatrão soletrado por riscos alternados dão retoques de modernidade. Em direcção à ponte de ferro, ainda encerrada ao público.
A Nova Escola amodernada com bandeirolas atractivas, a cumprir novas missões na repetida área da educação e formação, agora Profissional, acolhendo quase 2 centenas de jovens que aqui redesenham o seu futuro, talvez o resto longo da sua vida.
Longe dos beneméritos, redesenhada em parte na sua intestina concepção, os tempos esfumam-se e o ontem e o hoje misturam-se com a magia da vida que ali rodopia numa missão de preparar e integrar no mundo. Num tic-tac constante.