Fechar

Ofir

Esta rubrica pretende mostrar o tempo. O ontem e o hoje e as diferenças que os separam… em imagens.
Quem lembra a velha zona de Ofir com a solidão do seu conjunto hoteleiro na pacatez da sua praia, revê uma zona calma mas com vivência turística crescente e poliglota, as limusines que comprometiam o sector social mais endinheirado e a presença da casa da Conchinha, ligeiramente desnivelada em relação à rua, com os seus jardins singelos e os seus chorões a segurar as areias.
Ofir despontava para o turismo internacional e as familias ricas do norte construíam no seu pinhal com boas áreas e inspiração de arquitectos conceituados.
O Restaurante e salão de chá eram o lugar de encontro e convívio e a sua frequência era chiquérrima, como mostra o parque automóvel curto mas luxuoso.
Espaços amplos e bem arejados, horizontes longínquos, praias extensas e despoluídas e ausência da pressão do cimento. Apenas as barracas dos pescadores e o Posto da Guarda Fiscal afrontavam o mar.
O pinhal era de um verde escuro e cerrado com poucas manchas de telhados. Era o Ofir de Sousa Martins e Artur Ayres a afirmar-se no turismo nacional e internacional com o seu Hotel ainda com o bloco central de alojamentos.
O “boom” do turismo internacional estava ainda para vir e os novos profissionais da hotelaria davam os primeiros passos. As economias familiares de Fão começavam agora a depender do turismo.


Hoje…o Hotel ganhou então dimensão para responder ao crescimento turístico vindo da Europa sobretudo da Inglaterra e da Holanda com fluxos que inundavam Fão em plena década de 60. O Turismo era um eixo estratégico para a comunidade local e o comércio florescia.
Vieram os novos destinos exóticos, nasceram as famosas Torres, criaram-se parques de estacionamento e as coisas mudaram. Os fluxos de carros invadem agora a zona em época alta beneficiando das novas acessibilidades, chegam e partem da praia e regressam ao outro dia, sem mais valias locais.
O antigo Restaurante ganhou dimensão e novas funcionalidades,o Hotel cresceu e organizou de forma moderna os seus espaços, os telhados emergem por entre o pinhal , crescem parques de estacionamento e largos espaços em basalto para os peões, bombas de gasolina, cafés e snacks.
O colorido desenha-se na vertical e transversalmente e no Verão sente-se a invasão das gentes do interior que causam o caos no regresso, à mesma hora e pelas mesmas ruas.
O centro da Vila aquece ligeiramente e vive indiferente ao tráfego caótico nas ruas a poente e Fão já não vive do verão.
Na zona das suas praias o betão instalou-se obrigatoriamente numa imagem cosmopolita e complexa de contrastes com o Ontem.