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Salão Paroquial

Esta rubrica pretende mostrar o tempo. O ontem e o hoje e as diferenças que os separam… em imagens.


Sobranceiro à Igreja Matriz, o velho salão paroquial de “Cristo Rei” era um espaço amplo com antecâmara no topo norte, com a salinha da JOC de onde a máquina desbobinava os clássicos do cinema projectados no cenário branco do palco.
Os bancos de correr estavam á frente e mais atrás ouviam-se os assentos bater quando libertos.
Eram os fins de semana de cinema com os cartazes em cartão espalhados pela vila, eram as horas de catequese em grupos de rapazes e raparigas e as catequistas que marcavam a infância, eram as reuniões do grupo de jovens ou os escuteiros em actividade.
Algum silêncio repentino e era o Senhor Prior que entrava e a quem se pedia a bênção, envolto em preto com o cabeção branco a reforçar a identidade. A porta grande da entrada apontava para os degraus até à estrada nacional e em cada lado o trancão em granito ondulado servia de assento seguro para contar ao desafio os carros que passavam em intervalos mais ou menos longos de um lado e do outro.
O velho salão também tinha um palco bem montado com lugar para o ponto, os cenários coloridos com paisagens locais, muitas cordas corrediças, o pano de boca e os espaços laterais generosos.
O salão de Cristo Rei era também um lugar de Festas com as Revistas fangueiras, os teatros, as noites de fado características e albergava o povo entusiasmado.
O mesmo povo com outro entusiasmo reuniu ali no período conturbado e revolucionário e até as janelas foram lugar de passagem por tanto alvoroço.
A juventude de várias gerações ali teve os seus espaços e cresceu com o seu salão, de longos telhados, frio e mal iluminado.
O velho salão paroquial nasceu com a benemerência de muito boa gente e o empenho de figuras como o Prior Nogueira e viveu os seus dias com as diversas gerações que o preservam na memória e resistiu até um dia ali no Alto, junto à estrada nacional em frente ao Hospital da Santa Casa.


Muitos fangueiros recordam bem o ambiente do seu salão humilde e a imagem que em cima reproduzimos cria certamente nostalgia de um passado que fez história nos seus percursos de vida.
Com os tempos mudam-se os conceitos e os recursos e as obras nascem de um sonho, mal dormido ou não.
E assim nasceu o novo salão paroquial, redimensionado e aproveitando os espaços abertos existentes, com linhas direitas e a mostrar formas de arquitectura que não trouxeram mais valias ao património local.
A diversidade de espaços veio favorecer alguma ocupação mas o ambiente sombrio não valorizou a sua procura e apenas a sala de espectáculos ficou cativante com as entradas de luz natural, embora sóbria em recursos.
Pode dizer-se que o enquadramento a poente não choca, num conjunto onde desapareceu o telhado cerâmico tão típico e protector das infiltrações.
Mas o grupo de jovens dá –lhe vida, as crianças frequentam a catequese com a mesma alegria e a sala com palco tem mostrado a sua vocação continuada para tornar felizes os fangueiros com a repetição das velhas artes.
Quem agora olhar as duas imagens, adapta-se ao modernismo das construções de hoje, reservando no entanto em memórias, as paredes altas e um telhado corrido que abrigou horas e horas. Era o velho e modesto salão com a imagem simples de Cristo Rei ao norte…