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Futebol club de Fão

Esta rubrica pretende mostrar o tempo. O ontem e o hoje e as diferenças que os separam… em imagens.
Dizem que a fé move montanhas e o futebol montanhas de gente e neste último caso parece bem certo.
A nossa terra é bem apetrechada em infraestruturas ligadas a esta modalidade com características de folgada modernidade, mas pode afirmar-se que a segunda metade do século passado foi preenchida de entusiasmo futebolístico local , com referências marcantes de amor à camisola e ao desporto rei.
A par dos espaços improvisados como o “campinho”, as “Rodas” ou a “Junqueira”, e sem o menosprezo pelos largos do Fontes, dos Teixeiras, a “Praça”, o “Bairro” ou o “Paul” que recebiam o entusiasmo da pequenada, o Campo Artur Sobral recebia já equipas de larga ambição como o Gil Vicente, o Fafe ou o Vizela.
A criançada espreitava à porta uma fugaz oportunidade e lamuriava o deixe-me entrar ao homem da bilheteira.
Corriam-se os pontos mais altos à procura de miradoiros clandestinos e até o pinheiro manso a centenas de metros servia de observatório às correrias coloridas dos contendores.
Era tudo prata da casa em atitude de voluntariado e o piso em saibro era atravessado com tenacidade e garra e cada vitória era vivida em festa alargada pelo público.
Os heróis de ontem residem ainda hoje na memória das gerações de então e os cenários vividos vão resistindo ao tempo.
A foto mais antiga é de 1971 e podemos ver de pé o Agostinho, o Zé Albino, o Manuel Pedras, o Filipe Cubelo, o Coutinho e o Barbosa. Na frente aparece o Luís Torres, o Castro, o Norberto, o Bernardino e o Simões, um grupo treinado pelo Requeté.
Do grupo apenas o Coutinho viera de Gandra e o Castro da Póvoa…e a assistir lá estavam os mais novos que ansiavam vestir um dia aquela camisola.


Os tempos mudaram e o nosso futebol lá foi acompanhando as circunstâncias da vida. Maiores orçamentos acompanhavam as tendências do mercado. Os nossos jovens atletas também eram cobiçados e daí ao recurso ao mercado externo foi um instante.
Pode dizer-se que o futebol local se descaracterizou e já ninguém falava em amor à camisola. Também os grandes clubes geraram mudanças e se converteram em empresas. Os Clubes regionais passaram mais recentemente a desenhar as suas ambições com base nos orçamentos e o grau de exigência directiva passou a ser bem maior na procura do resultado.
Em contraciclo com algum abrandamento em outros sectores, a ambição do nosso Clube gerou entusiasmos e hoje tem concluídos projectos de grande envergadura, que colocam a Vila num nível elevado no que se refere a infraestruturas desportivas, com o apoio do Município, sem descurar os elevados objectivos competitivos. Um relvado natural e outro sintético obrigam a novas formas de organização e acompanham a ambição competitiva do Clube, que curiosamente não tem no escalão maior atletas fangueiros, contrastando naturalmente com a realidade de ontem… de outros tempos. Mas tem as escolas... e muito bem.
Na foto de hoje bem recente vemos em pé o Postiga (Póvoa), o Abílio (V.Conde), o Rego (Viana), o César (Braga), o Zé Pedro (Barcelos) e o Rui Manuel (Porto). Na frente o Gualter (Porto), o Tone Gomes (Barcelos), o Magalhães (Matosinhos), o Major (Porto) e o Filipe Edgar (Gandra).
Treinados por Berto Silva de Barcelos, merecem referência por serem do concelho o Filipe Edgar (Gandra), o Rodrigo Escrivães (Fonte Boa) e o Pinho (Apúlia), num plantel de 21 atletas, que são os heróis do presente. br> Realidades diferentes de Ontem e Hoje, das equipas e dos estádios… que mereceram a nossa atenção nesta rubrica.