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A restinga

Esta rubrica pretende mostrar o tempo. O ontem e o hoje e as diferenças que os separam… em imagens.
A Restinga … uma imagem distante que confunde os comportamentos cíclicos do mar, das correntes, dos movimentos de areias, dos avanços sobre a costa.
As mudanças que se têm sentido ao longo das várias gerações com memória, evidenciam os avanços e recuos e os ímpetos da força marítima .
A curiosidade convidava as pessoas a constatar “in loco” as forças da natureza. Eram as primeiras notícias que se espalhavam e davam nota de um drama que vivia suspenso no tempo.
A imagem a preto e branco tem 3 dezenas de anos, sendo evidentes os efeitos do avanço das ondas e da erosão, partindo a duna primária, empurrando-a sobre o rio.
A costa sentia nessa altura o efeito erosivo das correntes e a falta de reposição das areias, numa fase em que os areeiros delapidavam de forma insensível os recursos dunares e se sentiam os efeitos nefastos do avanço do porto de Viana.
Construíam-se de seguida os esporões de protecção a algumas áreas estrategicamente definidas e o tempo foi ditando medidas esporádicas.
Na foz, as areias rodopiavam em movimentações enigmáticas com séculos de história.


Os tempos e as imagens ganharam mais cor e as areias não pararam.
A norte a duna reforçou-se com o enrocamento que avança sobre o mar e as experiências de retenção das areias tiveram sucesso com as estruturas esqueléticas em madeira.
A vegetação ganhou mais vida e os passadiços invadiram os espaços dunares, proporcionando as caminhadas em zonas sensíveis, sem o risco do pisoteio.
O mar empurrou repetitivamente a duna sobre o rio, criando uma pequena enseada e a escola de KiteSurf deu colorido e velocidade àqueles espaços.
O turismo da natureza criou os seus indefectíveis e a língua dunar até à foz ganhou os seus apreciadores, com uma paisagem mais moderna e dinâmica da cidade.
Curiosamente imagens do mesmo autor, que também redige o texto, com 30 anos de diferença.