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Largo das Rodas

Esta rubrica pretende mostrar o tempo. O ontem e o hoje e as diferenças que os separam… em imagens.
O Largo das Rodas marcou várias gerações e a imagem exibida que gera muitas recordações, reporta ao ambiente típico das décadas de 50/60, numa ambiência que caracteriza os papéis diversos que o local representou, ora na indústria de cordoaria, ora na ocupação dos tempos livres dos mais pequenos.
Curiosamente a foto da autoria de Artur Costa, mostra a pequenada da altura num jogo de futebol, balizas bem demarcadas nos extremos por pedras ou sacola com livros, o piso ervecido e coçado a realçar a utilização diária e mais ao fundo o poço em esquadria de granito.
As Rodas era o local de preferência para um bom jogo depois da escola e resguardava-se do lado esquerdo por um muro bem alto em xisto que escondia o campo do Gandarela.
À direita corriam os arames de ponta a ponta em esteio curto que demarcavam os espaços de entrançamento do sisal ou linho, que o Tino "Treze" exibia em volta da cintura, enquanto o Sampaio dava à roda que ligava à cruzeta, fixada ao chão pelo garrote. A alça, os cavilhões, os cipotes, os ferretes, o trabuco, o segão e a barreta são nomes que pertenciam à gíria do fabrico artesanal das cordas, que bem merecia um espaço museológico a par da tipografia local, mostrando assim aos mais novos como se fabricava há várias décadas atrás.
Os pinheiros bem altos e isolados remiravam ao lado a indústria da serração e moagem já perto do rio. Mais ao fundo, a mancha escura do arvoredo dominava a paisagem.

Os tempos mudaram e o betão invadiu os espaços.
Hoje o Largo das Rodas exibe ainda esse nome mas também as formas de urbanismo moderno. Curiosamente o espaço das velhas Rodas continuam a ter a sua função social com o Centro Cultural, sendo o local que faz de sede da Junta de Freguesia.
As ruas largas e os novos edifícios em condomínio são a imagem actual e apenas algumas árvores importadas recortam os espaços da foto de hoje.
É o espelho do Fão mais moderno, que contrasta com o velho burgo isolado pela estrada nacional e que daqui se estende até à orla marítima, com edificações de qualidade razoável. Apenas um espaço de verde anarquisado entre o Centro Cultural e o Banco vai apascentando as velhas recordações.
Mas as 2 imagens exibem com enorme clareza a diferença entre o Ontem e Hoje…