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A praia de Fão

Esta rubrica pretende mostrar o tempo. O ontem e o hoje e as diferenças que os separam… em imagens.
A praia de Fão, com os seus extensos e límpos areais até à Restinga a norte, com águas pouco profundas e seguras nas áreas concessionadas, atraíram sempre muitas famílias nortenhas que aqui ganharam raízes de convivência e familiariedade.
A classe média e alta encontraram nesta região os argumentos certos para construir a sua habitação de férias e fins de semana em meados do século XX e o pinhal conteve-se com bonitos exemplares de arquitectura, alguns deles de referência nacional no conceito de arte e concepção. A casa de Ofir de Fernando Távora é disso um exemplo marcante na arquitectura portuguesa e consta dos manuais universitários.
Os meses de veraneio juntavam as famílias ricas na nossa praia e também o burgo antigo beneficiava de todo o movimento de pessoas, com os consumos, alugueis e vida social.
O areal crepitava de banhistas que se repetiam anualmente e o chá na praia era já uma tradição.
Os trajes documentados pela foto antiga revelam os costumes da época e contrastam com os tempos actuais, cujos conceitos de uso já nada têm a ver na forma e no tamanho dos fatos de banho.
O areal mais parecia uma esplanada junto ao mar com muitos dos frequentadores em vestes do dia a dia.
Sobranceiras à praia as casas dos pescadores guardavam os apetrechos do mar e o tempo foi-lhes dando outras ocupações.
Ao fim do dia muitos dos seus frequentadores rumavam às suas casas ou às habitações alugadas e as noites tinham mais encanto no casco velho da nossa vila.

Os verões quentes atraem hoje multidões de veraneantes beneficiando de novas acessibilidades e do uso dos bons automóveis que as facilidades de aquisição propiciam.
As 3 torres de Ofir que tanto estimularam o então responsável pelo ambiente e hoje primeiro ministro, assistem impávidas aos fluxos de trânsito que invadem o parque e tudo o que parece espaço para estacionar até ao pinhal.
Milhares de pessoas invadem a nossa praia durante a época balnear e poucas delas passam pelo centro antigo.
O areal encurtou mas os bronzes oleados revelam as modas e costumes modernos e é agradável à vista tanta diferença com o passado.
A foto actual revela um momento de adulteração das funções da praia: um aglomerado imenso de veraneantes provocando o sol, outras pessoas de semblante negro despedindo-se de quem sempre apreciou aquele areal e que nas suas águas desejou repousar eternamente. A Banda Plástica de Barcelos despejou músicas alegres a pedido do homem que deixou saudades, o Professor Manuel Ribeiro e sob o olhar das Torres a praia de Fão encheu-se outra vez com muita gente…