Fojo
| Esta rubrica pretende mostrar o tempo. O ontem e o hoje e as diferenças que os separam… em imagens. |
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As imagens reportam ao “Fojo” com uma diferença de 33 anos. A primeira versão assemelha-se a uma nave espacial, a condizer com a visão expressiva do seu autor conhecido por Sérgio, um incontinente criativo, fangueiro de gema, desatinado no seu percurso de vida, que liga a sua vida a esta obra. Orientado para os elementos característicos do rio e do mar e que servem de decor privilegiado à sua “Apolo”, o tempo ditou-lhe metamorfoses curiosas e o Fojo foi frequentado por muitos turistas que encontraram ali um espaço de bem estar, de ambiente típico e anímico de estatuto único. Muitas noitadas de bebida exclusiva, com os sons da viola e das canções autóctones lembrando a Senhora da Bonança, os pinhais de Fão, as pinhas e a lenha recolhidas pela Sãozinha e as pedras da Tia Leinora, construiram cenários no imaginário dos estrangeiros e … muitos voltaram logo depois e ainda hoje recordam Fão, lembrando só o Fojo e o Sérgio. Curioso, não é? A imagem mais antiga é de 1974 com o Fojo na sua configuração genuína, no Estaleiro, onde no século XIX e princípios do XX se construíam embarcações de enorme calado, saindo à barra depois dos festejos da sua inauguração, do bota abaixo ali, sempre de forma exuberante. Os acessos eram escassos e em terra batida e o juncal proliferava até ali perto. Hoje, do mesmo local, só vislumbramos um singelo arvoredo, que envolve nas suas franjas o velho edifício, várias vezes alterado, religiosamente envelhecido, de interior reforçado dos elementos fluviais e marítimos, orlado de sombras e troncos anárquicos. No interior a mesma poesia e o mesmo poeta recordando os tempos de vacas gordas. É a imagem da penúria turística. No exterior recorta-se uma boa acessibilidade e sente-se o movimento dos carros que passam e o Sérgio vai retocando a sua tela sentindo que os tempos não voltam… |
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