Pastelaria Clarinha
| Esta rubrica pretende mostrar o tempo. O ontem e o hoje e as diferenças que os separam… em imagens. |
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Quem fala em “Clarinhas de Fão” fala em coisa doce e bem fofinha, de um recheio amistoso, de filamentos finamente envolvidos em ovo com timbre ligeiro de canela, sob capa fina de massa recortada e artisticamente frita em óleo com toque de rilada. Mais tarde o açúcar fino de pastelaria dá-lhe o toque final num gesto estaladiço. É verdade que a doçaria fangueira assentou nome nos cardápios gastronómicos com este doce conventual e a sua confecção prolifera em algumas casas fangueiras, sempre com a qualidade que o nome exige. Mas a sua génese passa por mãos fangueiras que conviveram em casa senhorial e mais tarde iniciaram fabrico caseiro para vários pedidos. Primeiro a Clara, depois a Eulália e também a Amália souberam dar requinte e também tradição e a Pastelaria Clarinha nasceu e permaneceu desde meados do século XX, com nome registado, claro. Leves são as imagens do Sr. Rufino Barreiro, por causa do tempo, no seu trabalho domingueiro, junto ao seu balcão de cor creme a condizer com o restante mobiliário, taças apropriadas para o vinho verde fresquinho a desencantar do velho frigorífico e o cliente que pede “meia dúzia para levar e mais 2 para comer aqui”. Os carros paravam logo ali sob o páteo da Miquinhas e a dose repetia-se. O Sr.Rufino, de penteado ondulino, elevava a garrafa sobre as taças e os salpicos ligeiros do verde fresco reforçavam o apetite dos clientes. Tudo isso passou. Reminiscências do Ontem confundem o Hoje! O edifício renovou-se há 2 décadas, causando algum alarido pela rasia das suas paredes. Afinou-se o projecto e a imagem global manteve a memória. A imagem moderna refere a linha actual do automóvel estacionado, o mobiliário da pequena esplanada revela o calendário e as letras do REGISTADO deram origem a novas formas de afirmação. As famosas Clarinhas mantêm a procura dos seus dedicados clientes mas os salpicos lá vão e de resto tudo mudou no interior do modernizado estabelecimento. Os folhadinhos já fazem concorrência ao bolo de chila e as cavacas limonadas ainda se organizam nas prateleiras doceiras. Cá fora, apenas a velha casa da família Peixoto, pertença do Clube Fãozense, exibe decadente o peso do tempo. Um recanto curioso ali junto à Lai Lai em reforma, do velho Galo Negro que vende materiais para a construção civil com outro nome e as sombras do dia que se repetem em solarengos momentos. |
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