Hôtel de Ofir
| Esta rubrica pretende mostrar o tempo. O ontem e o hoje e as diferenças que os separam… em imagens. |
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Fão urbano vive longe do mar e não tem os movimentos de pessoas que caracterizam os aglomerados que se edificam junto à praia, na época balnear. O desenvolvimento populacional centralizou-se junto à margem esquerda do Cávado e a protecção do efeito nocivo das areias marítimas que afectavam os terrenos produtivos obrigaram a uma barreira natural de pinhais, entrançados de austrálias e outras árvores de crescimento rápido, a desenvolver-se sobre a duna secundária e primária. A actividade piscatória preferencial de muitos residentes abriram vários caminhos até ao mar e a necessidade do adubo marítimo para os campos alargaram-nos pela necessidade de transporte. O estatuto urbano da zona antiga de Fão, o seu casario abastado e pujante de ar abrasileirado relevaram o aglomerado e as famílias de posses e nome frequentavam esta região nos meses quentes de ócio. Natural seria que a sua beira mar inquietasse os homens investidores e de bom gosto. A foto mais antiga, de 1945, mostra o restaurante e bar de Ofir, do Engenheiro Sousa Martins, a que já fizemos boa referência num dos últimos “Perfis”, um homem reconhecidamente importante no desenvolvimento e expansão da zona turística denominada de Ofir, que o marketing turístico tem utilizado até hoje e que correu mundo nos mercados mais importantes. O restaurante e bar, alicerçados sobre a duna primária, posteriormente com acessibilidade principal pelo lado sul, foi-se desenvolvendo com uma esplanada atraente, posteriormente coberta, dando vez a cenários pitorescos em postais coloridos que correram mundo. Na foto mais antiga é visível um veículo dos anos 40, à direita, e mais abaixo não se percebe a casa da Conchinha e entre estes um arruamento de acesso ao lado sul. Os postais da época mostram luxuosos veículos junto à esplanada e ao restaurante, frequentados ao que se prova pelas famílias mais ricas da região, que ali aproveitavam para confrontar o luxo e conforto dos automóveis de marca. Ali nascem os encontros, os projectos e os sonhos da unidade hoteleira que mais tarde se erguerá com o nome de Hotel. Hoje o renovado Hotel de Ofir, que leva Áxis-grupo hoteleiro associado, é uma unidade de dimensão média, onde ainda prevalece ao fundo o grande restaurante voltado para os eventos e para o mar e onde pode acolher mais de mil pessoas em simultâneo. Em tempos acolheu bons profissionais que residiam na Vila e muitos deles naturalmente fangueiros, o que reporta o seu valor social pelo valor acrescentado para muitas famílias. Alguns enredos na sua aquisição e os movimentos políticos associados aos sindicatos criaram cenários caricatos de afastamento de vários trabalhadores e o Hotel de Ofir perdeu importância local. Também os fluxos de turistas escolheram outros mercados e o Hotel sentiu os efeitos da mudança a que não foi estranho também em tempos o alojamento dos refugiados. O velho Restaurante não perdeu a sua vocação e o conjunto voltado para o mar, com 2 espaços distintos, é hoje uma imagem de qualidade de bem servir. Esta infraestrutura hoteleira raramente se entrosou com o aglomerado local, talvez com alguma excepção no tempo de Rui Gomes e apenas a admissão dos trabalhadores locais “in illo tempore” tenha reforçado a sua memória no tempo, com algumas histórias. Remoçado, o Hotel vive hoje uma vida exclusivamente empresarial e tem sido procurado mediaticamente para estágios desportivos, nomeadamente de selecções estrangeiras e clubes da Primeira Liga, para além de Eventos Profissionais. Ao compararmos as fotos comparamos os tempos, o percurso desde a génese aos nossos dias. Ofir, o seu hotel e o seu Restaurante sabe muitas histórias locais e essas não residem nos seus documentos, mas nas memórias sacudidas… |
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