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Avenida Manuel Pais

Esta rubrica pretende mostrar o tempo. O ontem e o hoje e as diferenças que os separam… em imagens.
Vista do Cortinhal, a Avenida Manuel Pais esbarra ao fundo com a rua principal, salientando-se no passado a casa da D. Sara, de um recorte arquitectónico relevante, que a falta de visão e irresponsabilidade de quem tutelava deixou destruir irremediavelmente.
Pode ser que o futuro reponha ainda, arquitectonicamente falando, o que o passado recente não soube preservar, valendo-me da fé e da esperança.
Pode-se dizer que esta Avenida, rasgada já com boas medidas, mantém grande parte do seu passado, com a traça característica da edificação fangueira e algum repositório da história social do burgo. Foi ali o centro das grandes movimentações e ali permanece o centro das actuais passagens.
O postal de Ontem, já de fins do século XIX, mostra o antigo Hospital, com a capela da Misericórdia adjacente, um edifício recuado desta e com ajardinado clássico, protegido por gradeado ferroso.
O novo Hospital é construído em princípios do século XX, terminando um mandato de vários séculos na parte baixa do aglomerado antigo, mudando-se para a a parte alta, com uma vista abrangente sobre todo o aglomerado, ali junto à estrada nacional.
Conjectura-se hoje, como seria importante ter mantido as funções de assistência médica no local do velho edifício, pelos reflexos na manutenção da vitalidade da Vila .
Com os níveis de serviço e a quantidade de utentes que a ele acorrem, se estivesse situado junto ao Cortinhal, a Vila teria outro movimento, com estabelecimentos comerciais diversificados e até a Farmácia actual não mudaria de sítio.
As pessoas teriam de vir ao centro da Vila, a exemplo dos serviços públicos localizados na sede concelhia e a realidade seria outra.


Mas a crise dos velhos centros urbanos só se começou a manifestar há 2 décadas , com as famílias a terem mais facilidade de mobilidade e mais recentemente a deslocar-se com muita facilidade para comprar nos grandes espaços, com outra diversidade de oferta e melhor preço, um pouco a exemplo das feiras.
A nossa Avenida Manuel Pais, de quem alguém há-de traçar o perfil, é hoje uma montra preservada da nossa arquitectura, com o edifício que ocupou lugar do hospital muito bem preservado e de um traçado bem conseguido, com passeios largos em granito longo, a merecer árvores de ligeiro porte e com floração mais graciosa para permitir mostrar a edificação e desenhar alguma jovialidade. O Clube Fãozense já centenário suporta-lhe a placa toponímica, o palacete brazonado reforça-lhe a esquina e a igreja da Misericórdia, toda ela Museu, com o seu núcleo museológico, é uma obra prima do esforço de preservação e também criatividade, deve referir-se, da mesa da Santa Casa.
As ruas que a ela acedem foram objecto de revitalização e o casario tem aspecto de tinta fresca, o que é bom painel promocional do nosso património edificado.
Encostada ao jardim do Cortinhal, a avenida beneficia da vista e frescura do arvoredo e da abertura ao rio, com cenários naturais paradisíacos.
Na paisagem moderna que a imagem de Hoje retrata, os automóveis referenciam a realidade actual, sempre presentes, o que felizmente prenuncia também algum movimento, ora dos que vivem cá, ora dos que nos visitam.