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LUÍS GOMES VIANA

Mais de 20 anos dedicados ao CF Fão, 15 como presidente da Junta, muitos mais em diversas Comissões de Festas e ainda fundador e dirigente durante mais de uma década da ANAFRE, fazem do nosso entrevistado um dos ditos “dinossauros” da vida social e política em Fão.

Protecção da avó Eugénia, deu-lhe belos momentos da infância e juventude em Lisboa

NF- Recorde-nos um pouco da sua infância
Luís Viana - “O que mais me marcou de criança ainda muito pequeno, foram os tempos passados com a minha avó materna Eugénia, que tinha outra neta em Lisboa, por sinal casada com alguém bem colocado que trabalhava num Ministério e que visitava frequentemente. Ora eu, que praticamente fui criado por ela, ia nessas visitas, ficando na casa dessa familiar na rua Monte Olivetti, perto da Assembleia da República. Passei lá grandes temporadas e ganhei muitas amizades na zona, pois os vizinhos gostavam muito de mim. Chamavam-me o “Bolinha Branca”, pois eu era bastante gordo e pele muito clara e até usava uma cinta. Passava lá as minhas férias da escola e ganhava muitos brinquedos e bolas de borracha, que quando chegava a Fão era a alegria dos meus irmãos e amigos, pois por aqui não havia nada disso e eu como já era muito dado, acabava por repartir tudo. O nosso local predilecto era a “casota” do Pátio (das Vila Chãs), onde nos escondíamos e guardávamos alguns brinquedos.
Mesmo depois do falecimento da minha avó, continuei a ir a Lisboa, visitando os familiares e amigos que lá ganhei, durante vários anos. ”


























Aprendiz de carpinteiro e alfaiate

NF- E a experiência profissional quando começou ?
Luís Viana- ”Quando saí da escola comecei a trabalhar como ajudante de carpinteiro com o “Neca Casanova”. Mais tarde, estive na loja da “Geninha do Frade”, como ajudante do seu marido António Quintas que era alfaiate. Ajudava a virar as entretelas dos fatos e a limpar o “cotão” das roupas, mas era algo que realmente não gostava de fazer e não estive lá muito tempo.
Fui então para a Fábrica de serração “do Felgueiras”, onde o meu pai era encarregado, não teria mais de 14 anos. Nos tempos livres e ao fim-de-semana ajudava o meu pai na oficina, onde não faltava serviço, pois ele era um grande artista e tinha encomendas até de Lisboa, para capitães da marinha. Muitos desses clientes surgiram por intermédio do Dr. Barrote, um grande amigo que reconhecia os seus méritos. Todo este trabalho extra foi a melhor forma do meu pai conseguir dar-nos uma vida digna, face á família numerosa que tinha e às dificuldades da época. Na fábrica estive cerca de 8 ou 9 anos seguidos a trabalhar até que tentei emigrar.”


Aventura na Alemanha e uma viagem insólita

NF- Então tentou outras aventuras…
Luís Viana- Já era eu casado, quando muita gente em Fão emigrou e através de uns amigos alemães que conheci cá, me aventurei a ir trabalhar para a Alemanha. Parti de comboio e comigo ia o Domingos Ferreira, que andou muitos anos na Alemanha e tínhamos de trocar de composição em Paris. Assim aconteceu, mas pouco antes da partida alguém veio dizer que não era aquele comboio, já estávamos nós instalados com as nossas malas. Então foi um “salve-se quem puder”, com o pessoal a saltar com o comboio já em andamento, atirando as malas pela janelas. Como consequência disso perdi todos os meus haveres e ainda fui parar ao hospital cheio de mazelas, mas acabei por ter muita sorte pois podia ter morrido com aquela saída de “emergência”. Estive a trabalhar numa fábrica de decorações na zona da Baviera, perto de Munique, onde vivi de perto a grandiosa Festa da Cerveja. Passado menos de um ano voltei para Portugal, numa altura que meu pai tinha montado uma oficina de carpintaria na Póvoa. Estive lá algum tempo, até porque o meu pai entretanto adoecera. Quando ele recuperou decidi-me a voltar à Alemanha. Já perto da fronteira e depois de muitas cogitações, resolvi que afinal não queria deixar a família e abandonei o comboio, regressando a casa, para grande espanto de todos.”





















Casamento de dois irmãos e duas irmãs e os arraiais caseiros

NF- Não é caso único, mas não deixa de ser engraçado o vosso casamento de dois irmãos com duas irmãs, como aconteceu?
Luís Viana- “Bem, eu e o António andávamos sempre juntos para todo o lado e por acaso até fui eu que comecei a namorar a Helena, à janela no Largo Amândio Teixeira. Como ele às vezes me acompanhava, aquilo surgiu por acréscimo, de um convívio natural. Para além do namorico à janela, começamos a frequentar as festas populares que se faziam e aí começamos a destacar-nos, pois fizemos o nosso próprio arraial, para as pequenas festas de São Pedro e Santo António. As primeiras festas eram feitas no largo em frente ao Clube Fãozense, onde ligávamos os fios de gaiolas de pássaros, à corrente do Clube.
Uma ano roubaram-nos as lâmpadas quase todas e desolados fomos “choramingar” para o “Galo d’Oiro”, onde estava naquela altura o Artur Sobral e uns amigos. Sensibilizados ofereceram-nos o dinheiro para comprar as lâmpadas em falta.”


















Nas Comissões de Festas

NF- Daí surgiu a apetência para organizar outras festas de outra envergadura?
Luís Viana- ”Não foi bem assim, nós que fomos procurados, talvez por ser difícil encontrar pessoas disponíveis para assumir as comissões e por alguma competência e entusiasmo que nos reconheciam.
Assim entramos para a Comissão de Festas do Senhor Bom Jesus, de Santo António e Senhora da Bonança, como colaboradores de homens como o António “Miguel”, “Zé da Euláia” e Pires do Monte, tendo mais tarde assumido a liderança das mesmas. Os tempos eram muito difíceis, mas o meu irmão dizia sempre que “O Senhor Bom Jesus nunca deixou ninguém mal” e a fé dos fangueiros, fazia com que não fosse dos peditórios mais difíceis. Por essas alturas outro grande companheiro era o Manuel Gomes Soares “Neu Xita”, que connosco esteve no início do Testamento e Queima do Judas, que ele próprio e o Carlos Barra Reis escreveram nos primeiros tempos. Chegamos a imprimir e a vender o Testamento, que toda a gente tinha interesse em ter e era mais uma forma de angariar mais uns “tostões” para as festas. “


Assumindo a Oficina S. José e a entrada para o futebol

NF Quando “assentou arraiais” profissionalmente e como entrou para o futebol?
Luís Viana- ”Com a doença e falecimento do meu pai, eu e o meu irmão Belmiro tomamos conta da carpintaria, que se tornou numa Oficina de Formação, que pertencia à Igreja de São José da Póvoa de Varzim e na qual nós éramos os mestres. Isto claro, até atingir as nossas reformas.
Entrei para o futebol pela mão do Joaquim da Venda “Miguel”, logo no 2º ou 3º ano da fundação do clube e pertenci a várias direcções. Como presidente estive lá 7 épocas, sendo aquele que na história do clube esteve mais tempo à frente dos seus destinos, em épocas muito complicadas, que ninguém queria tomar conta das “rédeas”.
Foram cerca de 20 anos a trabalhar para o clube, com homens de muito valor e dedicação como o meu irmão António, o António Figueiredo (ontem falecido), António “Miguel”, Pires do Monte; Manuel Soares e o Adelino Saraiva, entre outros. Nesses anos fizemos obras na bancada, alargamos o campo, novos balneários e electricidade. Ganhámos muitas amizades de gente de fora da terra e que sempre tentamos agradecer condignamente, por isso nos ajudavam frequentemente, como por exemplo o Pimenta Machado e o António Miranda.
Mas o nosso amor a Fão por vezes criava-nos muita responsabilidade e desgaste pois cheguei a estar como responsável máximo ao mesmo tempo na Junta, Futebol, Infantário, nas Festas e no Recenseamento Eleitoral. Acabávamos de ser “empurrados”, porque ninguém aparecia e com o grande apoio do meu irmão António, não conseguia dizer que não, mas foram períodos de grande responsabilidade, desgaste e despesas pessoais. No entanto, sempre cumprimos os nossos compromissos e não me lembro de em qualquer das instituições se ficar a dever nada a ninguém e todos nos davam crédito.”

















Primo Albino levou-o para a política

NF- Como apareceu na política? Luís Viana- “Logo nos primeiros tempo após a revolução, o meu primo Dr. Albino Campos levou-me às primeiras reuniões do PPD, que eram feitas em casa da Aidinha Reis e colocou-me na lista encabeçada pelo Carlos Palma Rio, que venceu as primeiras eleições autárquicas, em que tinha como braço direito o Augusto Bogo. Estes pouco mais de um ano lá estiveram, já que se demitiram e dos que se seguiam na lista ninguém queria assumir a liderança. Esteve mesmo para ser criada uma comissão administrativa mandatada pela Câmara Municipal, o que a acontecer seria uma vergonha para Fão. Por grande insistência do Mário Belo, na altura presidente da Assembleia e do presidente da Câmara Eng. Losa, lá resolvi aceitar o cargo com o apoio de algumas pessoas, como o prof. António Peixoto (PS), que ficou como secretário e o Joaquim Carlos “Frade”, pelo PSD, claro continuando com a colaboração como escriturário do Arlindo Cardoso. Naqueles tempos tivemos trabalho acrescido com o primeiro recenseamento eleitoral e o grande número de retornados alojados em Fão. Chegavam a fazer fila para pedirem declarações de residência, agregados e haveres, que lhes eram pedidos pelo IARN. Foi uma época muito complicada, mas levamos o resto do mandato até ao fim e quando acabei pensei seriamente em abandonar tudo e dedicar-me “à pesca” como se costuma dizer, e que significava procurar algum tempo para mim e para a família.”






















Vitória inesperada e mais 3 mandatos na Junta de Freguesia

NF Como foi “respescado” pelo CDS e como conseguiu bater o anterior partido?
Luís Viana- ” Primeiro o próprio PPD, elaborou uma lista e nem sequer falou comigo e sabendo disso o Maciel logo me veio convidar, apesar de alguma contestação do presidente da Câmara Eng. Losa, que me achava demasiado irreverente nas questões relativas a Fão. No entanto, e talvez não lhe restando outra alternativa credível acabou por aceitar a proposta do Maciel e ele próprio veio falar comigo para me seduzir e apoiar.
Apesar de todo o apoio do poder vigente e de uma campanha de “peito aberto”, nunca pensei em vencer estas eleições já que o CDS não tinha grandes referências em Fão e no fim do acto eleitoral recolhi tranquilamente a casa. Ouvi bater à porta com alguma insistência e deparei com o meu vizinho e colega de lista “Né d’Abília” eufórico dando-me a notícia de que tínhamos vencido.
Claro, que não conseguimos a maioria, o que me dificultou muito a vida, pois a oposição era muito forte. A Junta foi constituída, para além de mim, pelo Joaquim Neves como Tesoureiro pelo PPD e o Joaquim Novais, pelo PCP. Mas eles não acabaram o mandato e foram substituídos pelo Joaquim Carlos “Frade”, do PPD e o António Peixoto, do PS, respectivamente. Por esses tempos, finais de 70, as assembleias de freguesia eram muito polémicas e concorridas, pois as pessoas viviam muito intensamente a política, com algumas querelas pessoais à mistura.
Depois seguiram-se mais duas eleições pelo mesmo partido, que nos deu um importante apoio, até porque era da cor do próprio executivo e também vencemos, em mandatos que foram concluídos sem atropelos. O meu “slogan” na altura foi “Para Fão um fangueiro” e parece que o povo entendeu bem a mensagem.





















Sei que o PPD/PSD chegou a ter uma festa de arromba preparada, mas acabou por sair furada com a nossa vitória, que com certeza não esperavam. Nunca tivemos maioria, por isso foi preciso usar sempre muita diplomacia e sagacidade para levar avante esses mandatos e penso com algumas boas obras para Fão, também graças ao bom relacionamento com o Engº Losa, que penso se não tem desaparecido assim abruptamente, ainda lá ficaria por mais algum tempo.”

Na oposição para ajudar Fão e não criticar por criticar

NF- E como é agora do lado de cá, como oposição?
Luís Viana- ”Eu não me considero oposição, tento apenas colaborar e ajudar a resolver as questões que se deparam. Não gosto do “bota abaixo” por sistema, embora seja criticado por isso. As pessoas às vezes esquecem-se que para além dos partidos, há algo que é muito mais importante – Fão!
Tento acompanhar tudo o que se passa e colaborar o melhor que posso e sei, e gosto sempre de intervir, mas sendo menos interventivo que no passado, em que travei lutas muito acesas. No tempo do Losa tivemos grandes combates, mas também muitas conquistas, penso mesmo que Fão teria muito mais a ganhar se ele continuasse no poder.”























”Fão está acomodado, mas o Luís Viana ainda está vivo!”

NF- Então como vê a situação actual, os candidatos ,vamos tê-lo novamente na corrida?
Luís Viana- ”Actualmente Fão está muito acomodado e não há grande mobilização, havendo um desinteresse generalizado pelas questões da vila.
A recandidatura do Zé Artur, acho que foi a única alternativa encontrada pelo presidente, que lhe deve ter feito um “forcing” para continuar, quando ele anunciou o seu abandono. É um homem com ideias e iniciativas, mas penso que de certa maneira com menor poder reivindicativo que os fangueiros esperariam, talvez demasiado comprometido pela mesma cor partidária.
Por outro lado o Luís Peixoto, que teve um apoio interessante, parece que de certa maneira gorou as expectativas que depositaram nele e acabou por ser uma oposição demasiado pacífica, não pressionando convenientemente o poder instituído e a falta de debate, de certa forma ajudou a afastar o público das assembleias, ao princípio mais concorridas. Penso mesmo, que se não fizer uma boa lista e melhor campanha não terá grandes expectativas, a não ser que faça alguma aliança.
Sobre a presumida candidatura do “Didi”, que afinal parece não ter passado de intenções, penso que era interessante, mas seria muito difícil para alguém que apareça de novo sem qualquer apoio e digo-o por experiência própria, quando concorri pela LAF. Quanto á CDU, estou convencido que ainda vai aparecer com alguém, mas as expectativas nunca serão muitas.
Finalmente e relativo ao Luís Viana, posso dizer que AINDA ESTÁ VIVO! E com alguma disponibilidade para lutar pelos interesses de Fão, mas sem fanatismos exacerbados. Já fui convidado como independente e não só, mas realmente só com o apoio de um partido poderia reaparecer, no entanto, nada está definido e ainda é muito cedo para isso. ”


A importância da mudança

NF- “Acha que nesta altura era importante uma mudança na política local? E pensa que em Fão se justifica mais de 2 listas?
Luís Viana- ”Estou completamente de acordo com isso, aliás esse foi mesmo o “slogan” do PSD quando venceu a primeira vez as autárquicas, “Já é tempo de mudar”! Mas para isso teve de beneficiar da morte do Losa. Portanto, acho que esse “slogan” se pode aplicar novamente agora. Estou perfeitamente de acordo com a mudança da lei em não se poder fazer mais de 3 mandatos. Alguns se tivessem um pouco de decoro, deveriam mesmo sair para não serem “empurrados”.
Realmente penso que em Fão só deveriam concorrer duas listas, havendo apenas uma lista formada por um conjunto de pessoas, independentemente da ideologia política, para lutar pela mudança. Era preciso alguém que não representasse a mesma cor da Câmara, para ter maior poder reivindicativo e não aceitasse tão serenamente as decisões da “casa mãe”. A mesma cor não trás tantos benefícios para a terra e temos os exemplos de Esposende e Marinhas que o comprovam.”


ANAFRE e Cooperativa, duas experiências inesquecíveis e distintas
NF- Como foi a sua experiência na ANAFRE, onde sei que foi dirigente de relevo e a sua envolvência na Cooperativa Cultural?
Luís Viana- “da ANAFRE fui um dos fundadores e um membro muito activo, tendo sido Vice-Presidente e por lá travei grandes lutas durante cerca de 15 anos.
Antes as juntas de freguesia não tinham qualquer expressão e por maior que fosse o nosso trabalho e empenhamento, éramos os eternos desconhecidos e nem sequer tínhamos sedes próprias, sem respeitabilidade e éramos muito pouco ouvidos. Com a fundação da ANAFRE em 1988, conseguimos outra visibilidade, e benefícios, com a atribuição de competências e verbas por parte do Estado, que passou a olhar-nos de forma diferente. Deu-me muito prazer e um enorme orgulho o que conseguimos para as freguesias e tenho as melhores recordações desses tempos, embora sem qualquer retorno e total desinteresse pessoal, tendo mesmo investido muito do meu tempo e das minhas energias.
A Cooperativa, da qual fui sócio fundador, só me envolvi mais directamente, quando o meu sobrinho Óscar assumiu a liderança e nos veio “repescar” a mim e ao meu irmão António, que se tornou no seu maior apoio e grande empreendedor. O António era um grande entusiasta e claro, eu lá o acompanhava nas suas lides, apesar de nunca ter lugar de destaque na direcção. Agora e desde o seu desaparecimento, senti-me na obrigação de dar ainda mais apoio a todas as actividades, sendo uma forma de honrar a sua memória e vontade. A Cooperativa que tem tido uma dinâmica muito louvável e interessante em Fão em prol da cultura fangueira, merece todo o meu empenhamento, tal como o Óscar que já leva bastantes anos á sua frente. Tento dar ânimo e ajudar a que apareça mais gente, para prestigiar a colectividade e Fão com as suas actividades que penso terem sido muito diversificadas e do maior interesse público, como é a cultura e a história da terra. Nós temo-nos preocupado em acarinhar e homenagear alguns fangueiros ainda vivos que por vezes foram esquecidos pelos seus feitos e pelas entidades de maior responsabilidade.
Tentamos incutir um ambiente salutar e familiar, com as portas abertas a toda a gente e cada reunião é como se um encontro de amigos no café se tratasse.
Recentemente vivemos um dos períodos mais bonitos da vida associativa, que foi a comemoração dos 20 anos e a homenagem ao Dr. Armando Saraiva. Enchemos a nossa sede e foram momentos inesquecíveis, tanto na homenagem e palestra do Prof. Peixoto como à noite no jantar comemorativo, com um grande número de amigos da instituição e de Fão, num convívio fantástico.


O Luís Viana, no seu próprio estilo, criticado por muitos, é indiscutivelmente dos homens que mais vezes vestiu a camisola e hasteou a bandeira de Fão nos mais controversos ambientes e épocas, com maior ou menor diplomacia, com maior ou menor sabedoria, mas sempre pelo mesmo denominador comum – Fão! Talvez em tempos não se tenha deixado calcar como outros mais humildes o foram e a isso chamaram-lhe vaidade, mas o certo é que esteve e está sempre presente apesar de muitas “bofetadas” que já recebeu, quando Fão está em causa. Seja como for e sou eu quem o afirma, talvez a terra nunca o tenha reconhecido como o mereceria e como outros o tenham sido, talvez com menor empenhamento e relevância, como a própria Câmara Municipal o fez em 1996, em que lhe atribuiu a Medalha de Mérito Municipal, pelas mãos de Alberto Figueiredo e como nos frisou, com muito empenhamento de Tito Evangelista. Se ele foi o homem que sempre deu a cara, com o apoio incondicional de seu irmão António, o certo é que também ficou à sombra da grande popularidade dele, que era um homem humilde, por vezes demasiado humilde e que por sua vez teve no irmão Luís, uma alma gémea no amor e dedicação a Fão.

Medalha de Mérito Municipal e da Assembleia da República, recebida como dirigente da ANAFRE, por Almeida Santos