Rua de Serpa Pinto
A toponímia de uma determinada povoação constitui um ponto de partida para quem pretende alargar o seu conhecimento sobre a história da localidade. Em cada uma das placas que designam as diversas ruas, podemos encontrar nomes que nos remetem para indivíduos que se notabilizaram ou para um certo contexto político e histórico do panorama nacional, de uma determinada época.
Fão, com as suas ruas, praças, travessas e largos, apresenta-se como um livro aberto, uma flor à espera que alguém a regue para que desabroche sob a forma do saber, uma floresta virgem que aguarda ser explorada e conhecida para que se descubra as suas belezas, um tesouro de história guardado em fragmentos de granito a partir do qual se torna possível conhecer os protagonistas de um passado mais ou menos recente, cujos nomes fazem parte do nosso quotidiano, do nosso presente.
A História é um processo contínuo de interacção entre o historiador e os seus factos, um diálogo interminável entre o presente e o passado. Neste sentido, o novofangueiro online partiu à descoberta e propõe-se a dar a conhecer aos fãozenses um pouco mais sobre a nossa história que, todos os dias, comunica connosco, silenciosamente.
A rua de Serpa Pinto é uma das principais artérias de Fão. Também conhecida, vulgarmente, como rua das Pedreiras é uma das mais extensas da nossa vila e representa uma das vias de ligação à vizinha Fonte Boa.
Esta rua realça-se pelo ar asseado e ambiente acolhedor, visto que para quem passa é habitual encontrar a simpatia das pessoas, sob a forma de um sorriso, quando assomam à janela ou portas ou ainda pela atmosfera de convívio quando se juntam à conversa nas tardes soalheiras de domingo.
Pode-se ainda destacar as alminhas a meio da rua onde os mais crentes podem cumprir e manifestar a sua devoção.
Está, igualmente, ligada a esta rua e à sua designação a Associação Cultural, Recreativa e Desportiva Águias de Serpa Pinto, fundada há cerca de três décadas pela iniciativa de um grupo de jovens.
Há alguns anos, por altura das festas do Senhor Bom Jesus, esta rua era representada por uma marcha na qual os figurantes, vestindo os coloridos trajes de ceifeiros, viajavam ao passado e simbolizavam a principal actividade económica dos que lá viviam outrora.
Serpa Pinto foi uma dos mais importantes portugueses do século XIX e realçou-se por ter desempenhado as funções de explorador de África e de administrador colonial português.
Integrou e dirigiu algumas das várias missões exploratórias portuguesas empreendidas com o intuito de afirmar a soberania histórica de Portugal sobre os territórios africanos.
Nos finais do século XIX, sobejava a escassez de informação e conhecimento relativamente ao continente africano. Neste campo, Serpa Pinto deu um contributo fundamental no que concerne ao reconhecimento e mapeamento do interior do continente, sobretudo da sua parte central e meridional.
O nome de Alexandre Serpa Pinto está, de igual modo, ligado à viagem exploratória de 1877 que visava o estudo das bacias hidrográficas entre os Rios Zaire e Zambeze, bem como ligar Angola a Moçambique pela via terrestre. No entanto, este sonho de descoberta de uma comunicação por terra entre as duas colónias costeiras terminou devido ao Ultimato Inglês de 1890.
A sua popularidade cresceu por esta altura conduzindo à sua aclamação por todo o país sob as mais diversas formas tendo sido uma delas a de “dar” nome às principais ruas de cada cidade ou vila.
Este personagem faz parte da história e imaginário colectivos nacionais e em particular de Fão.