Padre Manuel de Carvalho Alaio
Nasceu em Fão, em finais do Outono, quando as derradeiras folhas caíam das árvores aguardando que o vento do Inverno as fizesse voar. O calendário indicava que aquele era o sétimo dia de Dezembro de 1888.
À data do seu primeiro contacto com o mundo, Manuel Alaio era já órfão de pai (Manuel de Carvalho Alaio) e por isso a sua infância foi pintada com pigmentos de dificuldade e de carência económica típicas da vida de uma mãe viúva (Emília Fernandes Antunes).
Foi internado no Colégio dos Órfãos de S. Caetano, sito na cidade dos arcebispos, onde cedo evidenciou uma espantosa aptidão para a música, mais concretamente no que concerne à execução de clarinete.
Volvidos 13 anos desde o seu nascimento, o então adolescente Manuel Alaio ingressou no Seminário de Santo André e S. Luiz de Gonzaga, em Braga. Aqui, notabilizou-se pelo seu brilhantismo manifestado nas aulas de Música Piano e Harmónio, o que, mais tarde, lhe valeu o cargo de docente de solfejo e canto gregoriano no já mencionado estabelecimento de ensino.
No decurso de 1911, Alaio foi ordenado padre e retornou a Fão para exercer a função de capelão do Bom Jesus e, posteriormente, da capela da Misericórdia.
A sua paixão pela música levou-o a organizar, na nossa vila (na altura, aldeia) um grupo coral misto, assim como a escrever algumas marchas para a Filarmónica fãozense. Todavia, o homem de talento que era Manuel Alaio não estava destinado a permanecer na sua terra natal. Deste modo, em 1915, foi convidado para retomar a sua actividade docente nos Seminários Diocesanos, na capital do distrito. Simultaneamente, passou a dirigir a Schola Cantorum do Seminário e assumiu a regência de um conjunto musical designado de Capela do Padre Alaio.
Ao longo de toda a sua acção voltada para a regência de coros, este nosso conterrâneo alcançou, de forma inequivocamente meritória, elevados êxitos e fama que ultrapassaram as fronteiras bracarenses.
Impulsionado por isso, Manuel Alaio almejou a constituição de um Orfeão cuja direcção se viu obrigado a abandonar devido a complicações de saúde. 1933 é o ano que marca o seu regresso definitivo a Fão para cá passar os últimos anos de vida e aqui repousar por toda a eternidade depois de chegada a hora da morte.
O Padre Alaio era, é encarado como um emblema de bondade, um indivíduo virtuoso. É venerado, respeitado e acarinhado. Inúmeros são os que lhe são devotos, o que facilmente é comprovado pela frequente e constante afluência de pessoas ao seu jazigo.
O nome Manuel Alaio encerra e abrange em si um conjunto de distintas actividades: sacerdote, compositor, professor e regente de coros. Estas foram os diferentes rostos de uma só essência, de um só homem.
A sua morte prematura, aos 49 anos de idade, no mês primaveril de Maio de 1937, impediu que por ele fossem concebidas novas obras-primas. As que ficaram são: Ecos do Santuário: Colecção de motetes e cânticos religiosos, Marcha Jocista, Hino do Arcebispo Primaz, Bendito e louvado seja, Jesus e Ladainha do Sagrado Coração de Jesus.
Quando se trata de reconhecer as suas virtudes não há espaço nem tempo para dualidade de opiniões nem tão pouco antagonismo entre posições dispares.
É unânime e consensual a certeza de que Manuel Alaio representa uma figura de referência no campo religioso, um ícone no panorama cultural português, um musicólogo cuja genialidade é, simplesmente, extraordinária.