ALBINO TORRES
”Este homem natural de Marinhas, tornou-se um grande fangueiro de alma e coração, na terra onde casou constituiu família e pelo seu sucesso empresarial, político e social, deu um imensurável contributo a Fão e aos fangueiros, numa época de grandes carências. Daí que só nos admiramos por ter demorado tanto a ter uma rua com o seu nome, que aliás ainda não foi colocado, na antiga rua de S.Tomé.
Da lavoura para a carpintaria
Filho de uma família abastada de lavradores de Marinhas, Albino Torres, nascido a 20 de Outubro de 1887, veio para Fão como aprendiz na carpintaria de António Cardoso Salgado, situada no Largo da Praça. Aí se aperfeiçoou na arte da marcenaria, numa época em que não faltava trabalho e alguma prosperidade na nossa terra, graças à importância e dimensão da construção naval e também aí conheceu a filha do seu patrão, Rosália Gajeiro Cardoso Salgado, de quem se deve ter enamorado antes de viajar para o Brasil. Pouco depois regressava para casar com a filha do seu mestre e antigo patrão. Chegou a voltar ao Brasil, mas acabou por regressar e largar a âncora definitivamente.
Fundador da Fábrica de S. José
Primeiramente foi trabalhar para a Fábrica do “Felgueiras” (Serrações Unidas de V. Castelo), onde o sogro era gerente e sócio. Mais tarde abriu a sua própria carpintaria na zona dos Varais, na actual Rua Pio Rodrigues. Mais tarde decide fundar a sua própria fábrica de serração e carpintaria, que denomina de “S. José”, por trás do Hospital e na actual rua com o mesmo nome. Entretanto a sua esposa D. Rosália decide abrir uma pastelaria, no rés-do-chão de sua casa, na rua Direita (Azevedo Coutinho), junto à Praça e como era uma “expert” na arte da doçaria, também aqui o sucesso esteve com eles, tudo isto nos anos 20. Albino Torres, foi um empresário de enorme sucesso, criando muitos postos de trabalho, numa terra que passava por sérias dificuldades sociais, pois os estaleiros tinham fechado, o mar era pouco rentável e ainda não existia Ofir e pelo que sabemos, era um patrão exemplar.
Fundador, benfeitor e comandante dos bombeiros
Só pela sua dedicação à Corporação de Bombeiros que ajudara a fundar em 1925, já Albino Torres, merece um grande apreço de todos os fangueiros.
Foi 2.º comandante na altura da fundação, sucedendo a António José da Costa (“O Regada”) em 1927 como 1.º comandante, cargo que desempenhou até 1946. Foi também ele o principal responsável pela aquisição e montagem do primeiro carro a motor (o velho Ford, em 1931), que foi feita na sua fábrica. Para termos comparativos podemos dizer que este carro custou 17 mil escudos, uma pequena fortuna para aquele tempo e para o que contou com a mobilização de toda a freguesia.
Em 1946 é substituído pelo seu filho, Albino Gajeiro Salgado Torres, que fica interinamente como comandante durante quase um ano. Como comandante esteve 18 anos à frente da Corporação e foi uma personalidade que ajudou a unir uma comunidade onde havia muitas divergências políticas, sociais e até religiosas.
Presidente da Junta
Albino Torres esteve igualmente ligado a grande melhorias na freguesia, como patrocinador, benfeitor e mobilizador, como foi o caso da construção do antigo Salão Paroquial, tendo sido o “braço direito” do Prior Nogueira. Grande parte das madeiras vieram de terrenos seus nas Marinhas e ofereceu muita mão-de-obra do seu pessoal.
Como Presidente da Junta de Freguesia, foi responsável por grandes melhorias, como nos conta o Dr. Saraiva, em “O Novo fangueiro em Setembro de 1987: “À sua acção se deve o arranjo e alargamento da Praça, o calcetamento da Estrada do Mar, o alargamento da Estrada da Bonança e da Rua Prior Nogueira, o arruamento do Cemitério paroquial e arranjos em diversas ruas de Fão.
Bem e se atendermos aos nossos tempos, como seria visto um homem que para além de vir de fora investir e criar postos de trabalho, ser mecenas, benfeitor (muitas vezes no anonimato), líder associativo, político e ainda bombeiro…chamar-lhe-iam com certeza um extra terrestre, maluco ou um deus. Deus nos desse mais alguns com este Perfil…