Travessa Álvaro Castelões
Travessas, ruelas, cangostas, vielas.
Várias denominações para classificar aqueles pedacinhos de rua que permitem fazer a ligação entre duas artérias maiores e que tão características são da nossa vila de Fão.
A Travessa Álvaro de Castelões situa-se bem no seio do centro da vila e é um dos elos de ligação entre as ruas Azevedo Coutinho e Prior António Nogueira.
Escondidinha e recatada, resistente ao desgaste provocado pela passagem célere do tempo, pataca, simpática e silenciosa, espelha as cores do céu na sua calçada e na fachada das suas casas.
Vejamos quem foi o homem que empresta o nome a esta travessa.
No dia 1 de Abril de 1859, nasceu, na cidade do Porto, Álvaro de Castelões Araújo Cardoso Pereira Ferraz, filho de António Cardoso Pereira Ferraz e de D. Maria Emília de Brito e Cunha. Descendia de famílias com fortes convicções liberais, o que é comprovado pelo facto de o seu avô materno, António Bernardo Brito e Cunha, ter sido condenado a morte por enforcamento devido à sua lealdade à Carta Constitucional, outorgada por D. Pedro V, em 1826.
O seu percurso escolar finalizou-se com uma formatura em Engenharia pela Escola Politécnica de Lisboa, curso este que o fez notabilizar-se como um mais distintos especialistas portugueses na construção de caminhos-de-ferro, tanto em Portugal como no Ultramar.
Em 1889, acompanhou Serpa Pinto na sua expedição a África e neste continente ficou responsável pela chefia de uma coluna militar à frente da qual ocupou a região de Mupassa a fim de conferir a hegemonia portuguesa na região. Este facto despoletou o protesto da Inglaterra que ficou conhecido nos anais da história como o Ultimato Inglês de 1890. Na sequência desta sua tarefa, foi agraciado com o título de Benemérito da Pátria devido à sua conduta de cariz heróica.
De África, Álvaro Ferraz, rumou para a Índia onde exerceu a função de director do Caminho-de-ferro de Mormujão.
Volvido a Lisboa antes do final do século XIX para ocupar o cargo de director das obras públicas do Minho e do Douro, o nosso perfilado recebeu o título de 3º Visconde de Castelões aquando da morte do seu progenitor, por carta régia outorgada pelo rei D. Carlos em 1905.
Para além da engenharia, o Visconde de Castelões distinguiu-se na literatura, mais concretamente na poesia, tendo publicado os livros O sonho do Infante D. Henrique, o Soneto Neo-Latino, A Amorosa Canção e as Rimas Orientais. Nesta área, foi sócio honorário da Associação dos Jornalistas e Homem de Letras do Porto, pertenceu à Sociedade de geografia de Lisboa, fundou e cooperou com Júlio Brandão na revista Soneto Neo-Latino, colaborou nas revistas Nova Alvorada, Ilustração Moderna e Revista de Portugal, esta última dirigida por Eça de Queirós. Paralelamente, conviveu com João de Deus, Gomes Leal. Marcelino Mesquita, Guerra Junqueiro, António Feijó, entre outros.
A sua vida conheceria o seu término no dia 9 de Julho de 1953, na cidade do Porto. O nome do Visconde de Castelões ficou, de igual modo, ligado a Famalicão onde subsiste uma rua que perpetua o seu nome, tal como acontece na nossa vila, onde a denominação da via rememora um dos mais distintos colonialistas portugueses do final de oitocentos.