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Rua Artur Sobral

Estão, ainda, a despontar os incipientes e tímidos raios do sol que nos anunciam e brindam com um novo dia e já se sente o movimento na rua Artur Sobral. Ora sãos os carros que prosseguem a sua marcha em direcção à estrada nacional como ponto de partida para outros rumos, ora são as pessoas que com passos alargados se dirigem à padaria para comprarem o pão, acabado de sair do forno, ainda mais apetitoso e saboroso.
Aos poucos começam a chegar viaturas que trazem até Fão indivíduos oriundos das povoações vizinhas que aqui acorrem aos serviços de saúde oferecidos pelo Hospital. Deste modo, rápida e permanentemente, esta rua torna-se uma das mais movimentadas vias da nossa terra.
A rua Artur Sobral, outrora designada de Rua S. João de Deus ou, trivialmente, apelidada de bairro dos pescadores devido ao facto de aqui terem vivido inúmeros homens e mulheres do mar, situa-se nas proximidades da estrada nacional, na parte lateral das instalações do Hospital da Santa Casa da Misericórdia de Fão e é paralela à rua dos Veigas.
Com suas casinhas pequenas e coloridas de um lado, e outras habitações de construção mais moderna do outro, esta via apresenta-se-nos como bastante ampla e bonita, imagem que resultou de intervenções relativamente recentes que lhes ofereceram um novo pavimento nos passeios, bem como algumas árvores que a ornamentam, as camélias, de agradável colorido em tempo de floração.
Vejamos, agora, quem foi a personagem que lhe dá o nome.

Artur Sobral foi e é, no imaginário colectivo, um fangueiro de alma e coração, um dinamizador e impulsionador do progresso em Fão, um bairrista extremoso, activo e diligente a quem a nossa vila deve toda uma série de realizações.
O nosso perfilado viveu trinta e seis anos no Brasil e nem esse facto fez esmorecer o seu amor pela terra que o viu nascer, uma vez que sempre que cá voltava atentava nas necessidades que aqui se faziam sentir e nas lacunas em termos de serviços e equipamentos com que se deparavam, diariamente, os fãozenses que por cá permaneciam e habitavam.
O seu temperamento atento e o seu interesse e preocupação levaram-no a alertar amigos íntimos para o facto de Fão merecer muito mais empenho por parte dos fangueiros, no sentido de torná-la uma localidade melhor em todos os aspectos. Deste modo, juntou-se a Joaquim Mariz e Pires Carneiro e, das mãos deste três homens, Fão viu nascer uma sala de operações, um gabinete dentário, um consultório, uma cantina e uma casa para pescadores e viu-se iluminada na Alameda do Bom Jesus, na Avenida Manuel Pais e no Cortinhal.O velho campo de jogos com o seu nome releva a sua ligação ao Clube de Futebol local.
Estes foram apenas alguns dos projectos que se concretizaram graças ao mérito de Artur Sobral e a donativos de outros distintos fangueiros e não conterrâneos, seus amigos pessoais.
Artur Sobral deve este perfil e todas as manifestações de gratidão somente a si próprio, ao carácter de obrigatoriedade com que sempre encarou o compromisso pessoal que estabeleceu com a nossa terra, às suas diligências e aptidão de cativar a atenção alheia e de alcançar a cooperação de todos aqueles que, tal como ele, almejavam consagrar a nossa vila como uma localidade civilizada. E de que modo? Gratuitamente, apenas por afeição a Fão!