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Perfil – António Carlos da Silva Vila Chã Esteves

Um verdadeiro artista é-o na sua plenitude, ou seja, é alguém que se destaca em várias áreas, que se notabiliza em distintas e diversas dimensões da arte e que desempenha com sucesso e mérito todas as tarefas ou cargos para os quais foi ou está incumbido ou a que se propôs.
Geralmente, quando falamos num grande artista, o nosso pensamento remete-nos para as grandes e sonantes figuras nacionais ou internacionais, cujos nomes a história se encarregou de eternizar. Contudo, podemos encontrar casos de enorme talento mesmo no nosso meio mais próximo e que cabe à história, às instituições e aos meios de comunicação locais enaltecer, dar a conhecer e divulgar as respectivas obras.
António Carlos da Silva Vila Chã Esteves é um destes casos de pessoa multifacetada, facto que é comprovado por ter sido comandante dos bombeiros, escultor, pintor e professor, o que demonstra o seu espírito empreendedor.
Nascido em Barcelos no dia 21 do mês estival de Agosto de 1911, o escultor Esteves desde sempre esteve ligado a Fão dado que era aqui que gozava férias em casa de familiares, mais concretamente de tias, e foi, igualmente, em terras fangueiras que conheceu aquela com quem iria unir-se sob o laço do matrimónio a 16 de Abril de 1951, Judite Pinto de Campos, mãe dos seus 10 filhos.
No que diz respeito à sua formação académica, cumpre-nos referir que António Esteves se graduou no curso de Belas Artes pela Escola Superior de Belas Artes do Porto.
Em termos profissionais, realizou trabalhos exímios e magníficos em escultura, dos quais destacamos os bustos de Manuel Boaventura, de António Correia de Oliveira e de Marcelino Queirós, entre outros que podem ser contemplados por todo o concelho de Esposende, bem como belas pinturas, cujos movimento e cor reflectem e revelam que o artista se transformava como parte integrante da paisagem que representava, o que só conseguiu dada a sua capacidade de concentração que, de resto é apanágio e marca dos grandes mestres das artes. Ainda sobre as representações em escultura ou pintura no que toca às figuras humanas, sobressai uma característica do artista que se prende com o realismo com que retratava as pessoas, deixando transparecer as próprias personalidades devido ao realce que é concedido aos traços distintivos de cada individualidade.
À entrada de Esposende, pelo lado sul, também é possível ver a figura em bronze do Eng. Arantes e Oliveira, que deu nome à Avenida marginal e que era à data Ministro das Obras Públicas, também da autoria do nosso Escultor.
Para além disto, António Esteves exerceu a profissão de docente nos Colégios Infante Sagres em Esposende, e D. António Barroso em Barcelos e, ainda, na Escola Industrial e Comercial, sita, também, na cidade do galo.
Enquanto comandante da Benemérita Associação dos Bombeiros Voluntários de Fão, actividade que mais o destacou na nossa vila, temos de ter em conta que, no período em que exerceu funções, a corporação não dispunha de muitos recursos económicos, vivendo, pois, da beneficência e não se registava o número de ocorrências que hoje são habituais. No entanto, não podemos ignorar o facto de o comandante Esteves ter contribuído para consolidar a instituição. Era uma personagem que privilegiava o respeito mútuo, a honra da palavra e a honestidade das atitudes como fórmula para dignificar e prestigiar a Associação dos Bombeiros.
Paralelamente, preocupava-se com o modo pomposo, altivo, resumindo, aprumado com que os “soldados da paz” de Fão se faziam apresentar nas mais variadas ocasiões e cerimónias e tinha o peculiar dom de se fazer acatar e obedecer sem necessitar de se servir do seu posto para impor indicações, normas e condutas.
A sua saída dos Bombeiros permanece envolta pela bruma e guardada na memória de quem partilhou e vivenciou esse momento, mas é importante sublinhar que foi nesta altura que António Esteves se viu rodeado de um núcleo coeso de verdadeiros amigos que hoje continuam a respeitá-lo e a louvá-lo.
Um dos seus passatempos preferidos era a pesca e muitos relembram a sua figura na sua scooter procurando descontrair o espírito junto às águas do Cávado.
Era um homem determinado e alguns lembram que num incêndio num edifício em frente à sua casa, onde ainda estava uma bebé, ele entrou e evitou o que poderia ser um drama numa família humilde.
António Carlos da Silva Vila Chã Esteves pereceu no dia 22 de Outubro de 1968, aos 57 anos de idade, o que, certamente, enlutou a vila inteira e os seus admiradores. Todavia, uma parte de si permanece em todas as suas obras, eternizado nos trabalhos que realizou com todo o esplendor.
Também nós o homenageamos, louvamos e relembramos pois, e indo ao encontro do que proferiu Fernando Dacosta (2005), “sem memória não há pensamento, sem pensamento não há ideias, sem ideias não há imaginação, sem imaginação não há futuro”