JOAQUIM JOSÉ DOMINGUES MARIZ
Rua Joaquim Mariz
A Rua Joaquim Mariz faz a ligação entre a Rua das Rodas e a Rua Capitão Larcher, passando pela Casa Gandarela e os edifícios de Paulino Alves. È hoje uma rua estratégica no escoamento do trânsito que vem das praias e procura a Estrada Nacional.
A referência a Joaquim Mariz reside ainda nas memórias locais por causa do edifício da antiga cantina escolar, com o seu nome, a lembrar a sua acção solidária. Por cá ainda podemos conversar com o seu sobrinho Carlos Mariz, incansável nas pesquisas interessantes sobre parte da nossa história.
Mas… quem foi esse homem que já poucos lembram e que tem nome de rua?
Joaquim José Domingues Mariz nasceu no dia 1 de Dezembro de 1891 e era filho de António Domingues Mariz, natural de Fonte Boa e de Josefa Sobral, fangueira de gema, dando assim início à “dinastia” dos Marizes em Fão.
A referência à monarquia tem a ver com o ano de de 1910, em que se verifica a mudança de sistema político, estando Joaquim Mariz no último ano de Teologia no Seminário de Braga, onde estudava.
A República não se dava com o clero e a revolução usurpou muito do seu património e os estudantes foram incorporados no exército, por onde passou o jovem Joaquim. Monsenhor Mariz , tio do novato, era na altura Desembargador do Paço em Braga e teve influência no percurso seguinte do nosso jovem, que em 1911 demandou terras de Santa Cruz, um destino habitual na época.
Era o início de um percurso de vida com muito sucesso e com repercussões muito importantes para Fão até ao fim da sua vida.
Inicialmente viveu em casa de um seu primo, natural de Fonte Boa e que disfrutava de grande prestigio no Rio de Janeiro, trabalhando numa sua fábrica.
Ana Vasco, filha do primo, era uma jovem muito culta e Joaquim Mariz encontrou nela a mulher da sua vida. Casam-se e nasce entretanto Vasco Mariz, que mais tarde segue a vida diplomática com grande êxito, tendo sido condecorado pelo Governo português.
Joaquim Mariz alcançou grande êxito nos negócios e também na vida social do Rio de Janeiro.
Nunca esqueceu no entanto a sua terra natal. Juntamente com Artur Sobral e Avelino Pires Carneiro conseguiram na comunidade fangueira apoios financeiros para os Bombeiros e para o Hospital. Também o edifício da cantina beneficiou do seu esforço, tendo a população apoiado a atribuição do seu nome aquela obra, na qualidade de benfeitor.
Em Março de 1969 preparava-se para visitar Fão mas adoeceu e no dia 1 de Abril faleceu. Tinha no seu propósito visitar as Instituições de solidariedade fangueiras e oferecer mais um apoio financeiro, como era costume. A sua esposa procurou ainda fazer cumprir o desejo de Joaquim Mariz mas foi também atraiçoada pela morte.
Coube ao filho Vasco Mariz respeitar a vontade do pai, já por volta de 1971, visitando Fão e distribuindo pelos Bombeiros e pelo Hospital o valor prometido.
A comunidade fangueira residente no Brasil procurou sempre ser parte activa no desenvolvimento da sua terra e alguns dos maiores beneméritos tem esse feito recordado nos registos toponímicos.
É um facto que as gerações seguintes se dissolveram na sociedade local e os tempos mudaram, residindo no entanto em muitos, o cheiro da saudade de uma terra simpática que muitos não viram ainda, mas que ainda canta “Fão, linda terra minha…”.