VISCONDE SÃO JANUÁRIO
A Estrada Nacional 13 é de longe a artéria local de maior movimento e a sua importância tem sobretudo a ver por ser uma divisória aceite entre o burgo antigo que se concentra junto à margem esquerda do Cávado e os novos espaços de crescimento urbanístico, situados a poente.
Junto a ela se construiu no princípio do século XX o Hospital de S. João de Deus, sediado anteriormente na Avenida Manuel Pais, no centro da Vila, que procura maior dimensão ao situar-se junto a uma acessibilidade importante, então já beneficiada pela nova ponte de ferro. Com a Igreja Matriz ali ao pé, o salão paroquial veio mais tarde alojar-se no ponto alto.
Poderia até discutir-se a sua acção como barreira sociológica, o que não interessa para o presente trabalho.
O movimento de veículos e pessoas deram-lhe alguma notoriedade a nível do comércio de bens e serviços, onde perduram ainda hoje alguns estabelecimentos com várias dezenas de anos de actividade incessante.
A designação toponímica desta estrada é “Avenida Visconde S. Januário” e pode não ser fácil descortinar a relação importante com este político tão influente na política portuguesa nos finais do século XIX.
Chamado de Januário Correia de Almeida, o Visconde S.Januário nasceu em 1829 e faleceu em 1901, tendo sido sucessivamente Governador da Índia Portuguesa, Governador de Macau, Ministro da Marinha e Ministro da Guerra.
Em funções no Oriente, incrementou políticas importantes de salvação de Macau, Timor e enclaves lusos da Índia e desenvolveu intensa actividade diplomática junto de Tóquio, Pequim e Banguecoque.
Em Macau também aparecem ainda hoje referências ao seu nome na toponímia local.
Foi o primeiro Presidente da Sociedade de Geografia de Lisboa, que mostrou indissociável interesse pela exploração do Continente Africano, tendo organizado logo no início de mandato a primeira expedição de Capelo e Ívens.
Nos finais do século XIX eram várias as famílias ricas das cidades nortenhas que frequentavam Apúlia, entre elas o Visconde da Fervença, a Visconda do Castelo, o Conde Vilas Boas e o Conde S.Januário.
Ali foram construídas algumas casas apalaçadas e terá sido através dessa convivência que a ideia da Ponte de Fão nasceu, como necessidade premente da ligação mais fácil com o Litoral Norte, nomeadamente Esposende e Viana do Castelo.
O Barão de Esposende e o deputado Conde de Castro terão sido participantes nessas convivências, que incluíam algumas pessoas importantes de Fão, e terão influenciado o então ministro da Guerra.
A ponte de Fão, que foi inaugurada exactamente há 115 anos, em 1892, já não era ministro o ilustre Visconde, dever-se-á assim à sua forte influência no governo da época, tendo-lhe valido mais tarde a atribuição do nome à Avenida que ligava a Vila à ponte de ferro.