Largo Conde de Agrolongo
Caminhando por entre as oscilações de temperatura e de ambientes naturais que vão desde o sol abrasador que brilha sob o céu azul, passando pela brisa forte do norte, que nos é tão peculiar, até à névoa que a partir do mar se expande pela terra, o novofangueiro optou por fazer a sua paragem mensal junto à zona ribeirinha, no Largo Conde de Agrolongo.
Desprovido das suas antigas inquilinas, as árvores envelhecidas que lá habitavam há várias décadas, o Largo Conde de Agrolongo apresenta-se como um espaço amplo e agradável, onde crianças se divertem em finais de tarde e de onde a vista alcança, não muito ao longe, o lençol do Cávado onde barcos se deitam e descansam e de onde irrompem, de quando em vez, tainhas que cruzam o ar deixando um rasto de prateado.
O conde de Agrolongo, de sua graça José Francisco Correia, nasceu no dia 14 de Fevereiro de 1853 numa localidade de Guimarães designada de São Lourenço de Sande e destacou-se enquanto industrial, filantropo e mecenas português.
Apenas com uma década de vida, José Francisco Correia foi viver para o Brasil, fixando-se na localidade de Niterói.
Volvidos 8 anos da sua chegada, fundou a sua própria empresa ligada à indústria de tabaco, a Fábrica de Fumos Veado que abraçou sucesso instantâneo, facto que lhe granjeou a visita do presidente brasileiro, Manuel Ferraz de Campos Salles, uma vez que dela lhe provinha riqueza, fama e reconhecimento público, bem como a sua fábrica concedia um grande e importante impulso à economia brasileira.
Ao longo da sua vida, o Conde de Agrolongo custeou obras de melhoramento e de construção e criou de raiz várias escolas, asilos e igrejas tanto em Portugal como no país da América do Sul onde viveu por numerosos anos. O Asilo Conde de Agrolongo em Braga é uma das suas obras.
A nível pessoal, Agrolongo devotou-se à fotografia, tendo sido um dos pioneiros da fotografia amadora e um dos poucos a realizar fotografias de nus, no Brasil. Paralelamente, foi um difusor da fotografia através da oferta de brindes da sua empresa onde constavam imagens captadas através da objectiva de uma máquina fotográfica.
Quando regressou ao nosso país, o palacete que lhe serviu de residência em terras de Vera Cruz foi comprado pelo presidente de estado do Rio de Janeiro e durante 71 anos albergou a sede de governo. Nos nossos dias, lá se localiza o Museu de História e Arte do Rio de Janeiro.
Ainda em vida, o nosso perfilado foi alvo de diversas condecorações como a Cruz de Mérito Industrial (pelo monarca D. Carlos), o grau Cavaleiro de São Gregório Magno (pelo Papa Leão XIII), o título de Visconde de Sande e o de Conde de Agrolongo.
Este nosso compatriota morreu na Praça de Camões em Lisboa, no dia 15 de Abril de 1929, aos 76 anos e encontra-se sepultado no Convento do Salvador em Braga.
O seu nome figura por várias localidades, não sendo Fão uma excepção, facto que traduz o reconhecimento que por todo o país lhe é prestado pela sua acção humanitária.