Evocações do passado: Há 68 anos faleceu o Prior Nogueira
António Alves Nogueira, pároco de Fão, entre 1920 e 1956, falecia no dia 25 de Janeiro de 1957, após um longo período de debilidades de saúde, que afectara seriamente os seus pulmões e enlutou uma terra que o idolatrava.
O Prior Nogueira, que teve uma atribulada recepção na Paróquia de São Paio de Fão no ano 1919, quando veio substituir o Padre Azevedo, que havia sido exonerado por questões políticas pelo Arcebispo de Braga e que não foi aceite de ânimo leve pela comunidade fangueira, só 2 anos depois conseguiu tomar posse definitivamente.
Natural de Gemeses, onde nasceu a 28 de Outubro de 1887, o Prior Nogueira era um homem de convicções fortes, dinamico e empreendedor, para além das suas indiscutíveis faculdades como "bom pastor" do rebanho de paroquianos.
Foi Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Fão, Juiz da Irmandade do Bom Jesus, Presidente da Junta, fundou a Cruzada Juvenil e foi co-fundador dos Bombeiros Voluntários, sendo o 1º Presidente da Assembleia Geral da Benemérita Associação, e ainda Verador da Câmara Municipal.
A ele se deveu várias obras e benfeitorias para Fão, com destaque para a construção do Salão Paroquial, para o qual conseguiu envolver a população activamente.
Se o povo de Fão, lhe fez uma enorme e histórica recepção, quando cerca de um ano antes da sua morte, regressou do sanatório no Caramulo, com aparentes melhoras, foi após a sua morte que os fangueiros lhe prestaram as maiores homenagens.
Desde o nome de uma rua no cenro histórico da vila, um busto na Alameda do Bom Jesus, às várias cerimónias religiosas durante décadas a si dedicadas e às romagens que ao longo destes quase 70 anos se continuam a realizar por fangueiros que rumam a pé até ao cemitério de Gemeses, onde está sepultado e onde o povo de vão já depositou um número inqualculável de ramos de flores e dedicaram muitas das suas orações, de alguém que sempre conotaram com fonte de santidade.