Política: Vilas de Fão e Apúlia reconquistaram independência administrativa na Assembleia da República
Só um veto impensável do Presidente da República pode agora impedir a Desagregação
Neste dia 17 de Janeiro, foi votado pela esmagadora maioria do Parlamento, o Projecto Lei que faz com que cerca de 300 freguesias voltem a ser independente administrativamente, entre as quais as Vilas de Fão e Apúlia, pelo que tanto lutaram durante estes 12 anos, pelo que cerca de 70 cidadãos destas terras, marcassem a sua presença no hemiciclo.
Partindo pelas 4h00 da madrugada num autocarro rumo á capital, onde se juntaram mais algumas pessoas, fangueiros e apulienses, envergando camisolas com o escudo das suas vilas, nesta manhã fria em Lisboa, os corações aqueceram quando foi a votação o Projecto Lei 416, que teve apenas os votos contra apenas da Iniciativa Liberal e a abstenção do Chega, sendo aprovado pelos grupos parlamentares do PSD, PS, BE, PCP, Livre, PAN e CDS-PP.

As galerias do Parlamento, encheram-se com centenas de pessoas, entre os quais cerca de duzentos, autarcas de todo o país, entre os quais do nosso Município e a galeria nº5 praticamente cheia com fangueiros e apulienses, que viveram este momento com emoção indescritível.
Esta votação foi aplaudida logamente de pé por constituintes e público que sublinharam este momento histórico, que, como disse a deputada Mariana Mortágua pôs fim a esta "perversa Lei Relvas" e fez deste "um dia bonito para a democracia".
Agora, bastará a promulgação desta deliberação pelo Presidente da República e no prazo de 30 dias será preciso eleger uma Comissão de Extinção e posteriormente uma Comissão Instaladora para ir preparando, a entrada em actividade dos novos órgãos autárquicos, que irão a eleições no próximo Outono.
Muito trabalho para os nossos autarcas e seus parceiros políticos, oposição ou não, para prepararem esta desagregação, que cremos hoje terá sido motivo de grande satisfação da maioria dos fangueiros e apulienses, na terra e lá em "cima", onde não poderei esquecer muito que lutaram e sofreram com esta agregação destas duas Vilas, entre os quais meu velho, grande bairrista e saudoso pai, que faleceu depois depois desagregação, partindo triste e desiludido.
Como nós, muitos nunca irão compreender, não a agregação, que tinha um fundamento com alguma lógica em período de "troika" e "pós-troika", na tentativa de poupar recursos financeiros, que pensamos pouco ter acontecido, mas principlamente como elas foram feitas.
Por exemplo, a Vila de Forjães manteve-se (e bem) independente, enquanto as de Fão e Apúlia, com as mesmas ou até melhores infraestrutas não. Fão ou Apúlia com Fonte Boa e/ou Rio Tinto até podíamos compreender, como Gandra ou Palmeira com Gemeses (que ficou só), Vila Chã com Curvos, ou Antas com Belinho e Marinhas com Mar ou mesmo só, já que Marinhas é a maior freguesia do concelho e mesmo Esposende com Gandra. Mas isso, somos nós a recalcar estas decisões do passado e como fangueiro e bairrista nunca irei aceitar que alguém tenha feito isto à nossa terra, á sua história, ao seu povo e aos seus antepassados!
Para já, folgo ter vivido e testemunhado este dia cá na terra e agradecer a todos que lutaram por esta conquista...ou reconquista. Quem não o sentir, "temos pena", mas pior de tudo é quando esses sentimentos tem de ser escondidos e até revertidos.