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Belinho: Retirados ao largo da praia 2 canhões do século XVI

Peças de artilharia pertencerão à nau quinhentista afundada
O Município, conseguiu ontem, segunda-feira, 23 de Setembro, após planeada operação de resgaste, recolher do fundo do mar, ao largo da Praia de Belinho, dois canhões de bronze, que ao que tudo indica, pertencerão à nau quinhentista, afundada naquela praia a norte do nosso concelho.

Os primeiros destroços desta embarcação, deram à costa há 10 anos e desencadeou uma série de operações de investigações, estudos e aferição do valor patrimonial do apelidado "Achado de Belinho", a maior parte já exposto no Forte São João Baptista, onde está previsto ser implantado o Museu D. Sebastião e que deverá também acolher estas importantes peças no futuro.

Sobre esta importante recolha, pode ler-se na nota de imprensa do Município emitida esta tarde:
"A operação de resgaste foi realizada na presença de mergulhadores, na área do naufrágio de Belinho, após diversas alertas ao Serviço de Património Cultural da autarquia. Prontamente foram alertadas as devidas autoridades e entidades, no caso a Capitania do Porto de Viana do Castelo e a Delegação Marítima de Esposende, para além do Centro Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática, que tutela o Património Cultural Subaquático.

Os trabalhos arqueológicos foram realizados com caráter de emergência, atendendo aos recorrentes alertas e às excecionais condições do mar, nomeadamente a fraca ondulação. Efetivamente, durante os trabalhos de monitorização e de registo, verificou-se que as duas bocas de fogo tinham sido deslocadas, estando totalmente à mercê da natureza e/ou de interesses ilícitos.

Resgatados à turbulência das profundezas do irado mar Atlântico e à cobiça humana repousam agora num merecido ambiente tranquilo, nas instalações do Município, em tanques construídos para o efeito em 2017.

Consciente do seu valor e relativo fácil acesso, a equipa de investigação procurou, desde a sua descoberta em abril de 2017, promover a sua salvaguarda, mas até agora nunca se tinha conseguido reunir a conjugação de fatores naturais – particularmente a fraca ondulação e boa visibilidade – bem como recursos e equipas.

Ontem, segunda-feira, dia 23 de setembro, foi realizada uma ação de salvaguarda, dado o risco destas peças de artilharia virem a ser pilhadas ou roubadas. De referir que a Convenção da UNESCO para a Proteção do Património Cultural Subaquático privilegia a preservação “in situ” quando estão reunidas as condições de proteção e de valorização das peças. Agora, segue-se a fase de conservação e de investigação das duas colubrinas oitavadas de bronze, raras no território português e que obedecem a um plano rigoroso."