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Feliz Ano Novo!

Coincidências separadas por 100 anos pintam 2023 de cepticismo
Um século passado e tantas semelhanças na vida social, pelo menos pelos textos do jornal “O Espozendense”, de José da Silva Vieira e que tinha como Editor o Padre Júlio Giesteira Lima, na sua 1ª edição de 1923.

. E, salvo algumas diferenças ortográficas, de um português que sofreu várias alterações e um “esquisito” acordo ortográfico, bem poderíamos escrever algo muito semelhante neste início de ano de 2023, que também foi um domingo. Senão vejamos, o que diz na primeira página deste número 729 do semanário:
«NOVO ANO

Começou no domingo, 1 do corrente de 1923, o novo ano que a nosso vêr não apresentou melhor feição que o 1922 de eterna memoria para todos aqueles que para se aguentar neste forte balanço da vida tiveram que mourejar e lucrar em todo esse ano de horrores e escassos recursos.
A crise medonha que o povo de todas as classes tem atravessado no respeitante á subida enorme de tudo que é alimento não é de molde no principio destes ano que vamos percorrer a ajuisar de melhores dias.
Que o governo tome medidas enérgicas e não paliativos para debelar esta dolorosa situação é o que todos desejam e os votos que nós também fazemos ao formular esta nossa petição.»


Mais abaixo e na mesma sequência e com o titulo “CRISE POLíTICA”, lia-se:«Mais uma crise acaba de se dar no nosso governo, ainda há pouco constituído, sahindo desta vez o Dr. Leonardo Coimbra, por desacordo com os seus colegas em certos assumptos.
E não ha que vêr, os eixos da governação estão gastos.»

(Não o tem dito tantos analistas sobre o actual governo, que ainda não tem um ano e já perdeu 11 governantes, talvez há 100 anos não se falassem era em tantos milhões mal geridos e em tanto despudor na gestão dos dinheiros públicos.

E para mais comprovar as semelhanças, até o tempo não varia do actual contexto meteorológico, como se pode ler imediatamente a seguir:
«Com raras excepções o tempo corrido bastante invernoso, de chuvas e fortes rajadas de vento.»

Coincidências?...100 anos depois…

Esperemos que não e que haja uma luz de esperança, não só por cá, mas também a nível internacional, onde as ameaças são cada vez mais que muitas, que poderão afectar e de que maneira a já se si frágil e cada vez mais desigual sociedade portuguesa.

Haja esperança, muita fé e essencialmente muita coragem!

Feliz Ano Novo, estimados leitores e amigos!