Evocações do passado: Há 10 anos Assembleia de Freguesia contestava Agregação
No mesmo dia 14 de dezembro, em que a Assembleia da República votava o Projecto Lei na generalidade, após primeira aprovação de 6 de dezembro
No dia 14 de dezembro de 2012, os fangueiros encheram a sede da Junta de Freguesia, para participarem numa Assembleia Extraordinária muito polémica, em que se analisou e discutiu a aprovação da famosa "Lei Relvas", que decretou a agregação administrativa de centenas de freguesias, como aconteceu com Fão e Apúlia.
Tal como no dia 6 de dezembro, em que a população de Fão se juntou para manifestar a sua revolta e insatisfação pela aprovação na generalidade do Projecto Lei nº 320/XII/2ª, que agregava entre muitas outras as freguesias, neste caso Vilas, de Fão e Apúlia, onde incluisé marcou presença a RTP1, que fez a reportagem da contestação fangueira, também no dia 14, em que essa mesma lei era votada na generalidade, os fangueiros se juntaram para participar numa acalorada e muito participativa Assembleia de Freguesia Extraordinária.
Aqui lembramos, o nosso relato dessa inesquecível assembleia:
«Fangueiros unidos e decididos animaram Assembleia de Freguesia
Intervenções inflamadas mostraram inconformismo e vontade de lutar
Na Assembleia de Freguesia Extraordinária, que se realizou ontem à noite, ficou evidente que há muitos fangueiros dispostos a lutar até às últimas consequências para evitar esta descabida e aberrante agregação das Vilas de Fão e Apúlia.
Numa assembleia em que faltaram alguns elementos e sala da sede da Junta bem composta, mas muito aquém do que a situação merece, Luís Peixoto pôs ao corrente das consequências que esta agregação pode vir a ter para Fão e para os fangueiros e dos passos dados pelo executivo, justificando a posição tomada e a necessidade de avançar com mais medidas, apoiando-se em vários documentos e imagens que suportam a contestação fangueira.
Soube-se que poderá haver uma proposta para, aproveitando o interesse de Gemeses de se juntar a Palmeira e Curvos, se contrapor a não agregação de Fão e Apúlia.
O líder da bancada da oposição Né Vieira, na sua intervenção expressou a sua preocupação em se acelerar as reivindicações, visto não haver muito tempo até à homologação da lei e deu a conhecer uma mensagem enviada a um deputado do seu partido, onde sustenta a reclamação fangueira e mostra a grande desilusão para com os políticos e representantes da região, que não intervêm por aqueles que os elegeram e consentem medidas tão desapropriadas.
Contundente foi a intervenção de Manuel Carvoeiro, que frisou a responsabilidade da "Troika" nesta situação como em muitas outras que estão a destruir o nosso país e miserabilizar o nosso povo. Apontou dedos e responsabilidades a alguns políticos do nosso concelho e lembrou outros casos de luta acesa do povo que a muito custo deram os seus frutos, como aconteceu em Barqueiros na questão dos caulinos e entre nós a suspensão do encerramento da Escola das Pedreiras.
Deixou ainda a sugestão de uma boa representatividade de fangueiros na próxima Assembleia Municipal, que se realiza na segunda-feira.
Luís Viana, bem ao seu estilo, criticando alguns fangueiros "que com responsabilidades na terra no passado e no presente, estejam alheados desta problemática tão importante para Fão", teve uma intervenção inflamada e falou mesmo ser necessário "tocar o clarim" para reunir as forças e lutar contra uma decisão ultrajante para Fão.
Intervenções ainda da parte do público de Toninho Silva e António Peixoto que de formas diferentes mostraram a sua indignação e inconformismo contra esta agregação que "fará levantar dos túmulos os grandes fangueiros do passado", segundo as palavras do professor Peixoto.
Não menos contundente e inflamada foi a intervenção do presidente da Assembleia de Freguesia de Apúlia Manuel Melo, que fez saber a rejeição peremptória e unânime do orgão que representa, apesar de sentir algum laxismo do executivo apuliense, frisando que esta é hora de união das duas freguesias, numa luta comum. "Apúlia não luta" disse, manifestando o seu desagrado pelo desinteresse dos apulienses, ao contrário do que tem presenciado em Fão.
Desta assembleia ficou decidido contacto com as autarquias de Gemeses e Apúlia, para confirmarem as suas posições e a preparação de novas e próximas formas de luta. Luís Peixoto, deixou no ar a preparação de mais alguma forma de protesto no dia 8 de janeiro, quando se comemorar o "Dia de Fão", assinalando a elevação a Vila há 37 anos.»