Evocações do passado: Abel Vinha um poeta que se foi cedo mas deixou obra
Há 109 anos, nascia em Fão Abel Vinha dos Santos, um homem que desde muito jovem demonstrou enormes aptidões para as artes literárias, mesmo muto antes de se ter formado como professor. Hoje, vamos partilhar um dos seus poemas, editado no dia 15 de fevereiro de 1930, no jornal "O Espozendense", tinha então apenas 18 anos.
Como muitas da suas publicações, entre crónicas, contos e principalmente poesia, o tema da morte aparece em muitos trechos e linhas, que "jorrava" na sua fonte de enorme inspiração, como também podemos verificar neste soneto "O Chorão" e que como preconiza o seu precoce desaparecimento, afogado nas águas do rio Minho.
"O Chorão"
Era um jardim em dia de noivado !
Florido e risonho e verdejante...
Ao centro tinha um lago soluçante,
Onde um chorão pendia corcovado...
Mas em tarde d´outono o jardim teve
Que deixar ir ao vento tanta flôr...
Veio o inverno e chorão (de dôr)
Curvou-se mais na mortalha da neve !
Secaram-se as folhas e o chorão
Morreu. Um fauno triste o seu caixão.
Fêz soluçando. E em horas romanescas,
Foi o seu tronco sêco a enterrar
Envôlto na mortalha de luar,
Com duas c´rôas de camélias frescas !...
Vinha dos Santos