Evocações do passado: Há 100 anos Fão estava sem pároco
Prof. Pio Rodrigues faleceu há 50 anos
Por esta altura em 1921, Fão continuava a tão ter pároco, uma situação bem polémica, que durou cerca de 2 anos, isto porque o povo fangueiro não aceitava a exoneração do Padre Luiz Azevedo, que teria sido afastado por questões políticas, nem o seu substituto Prior António Nogueira.
São muitos os relatos e crónicas que debatem este tema e por dias, as edições dos 3 jornais que havia na época (A Verdade, o Espozendense e O Grulha), todos davam enfâse a esta questão que se vinham arrastando há já ano e meio e no "O Grulha", o seu jovem, mas qualificado editor Cândido Nunes Vinha, escrevia um editorial bem crítico, visando fortemente o Arcebispo de Braga. O seu ataque é bem claro e frontal, não compreendendo porque o povo de Fão não tem direito a uma cerimónia religiosa na sua terra, seja em funerais, matrimónios, baptizados ou simples eucaristias, a maioria sem possibilidade de contratar uma diligência para o fazer noutra freguesia.
Mas, e pela bem activa imprensa da época, Fão não era a única freguesia orfã de pároco, já que também Belinho, Marinhas e Gandra, neste mesmo ano estiveram largo período sem pároco e não era por falta de padres...
No caso de Fão, só em junho de 1921, o Prior Nogueira vai conseguir tomar posse e foi preciso ainda esperar algum, para que o povo o começasse a respeitar e admirar junto dos seudinâmico pároco, que esteve ligado a grande obras em Fão e às suas principais instituições, mas também teve um papel muito activo juntos do seu rebanho, que mais tarde se vergou à sua obra e nunca o esqueceu.
Professor José Pio Rodrigues faleceu em 1971
Meio século mais tarde, Fão perdia outro grande homem, que tal como o Prior Nogueira, não sendo fangueiro de natureza, foi-o de alma e coração, deixando igualmente obra feita, que o povo não esqueceu, atribuindo-lhe o nome da Rua, que antes se chamou da Boavista e Conde de Castro.
O Professor José Pio Rodrigues (foto), para além de exemplar professor, que nasceu em março de 1907 numa pequena freguesia de Caminha, assentou arrais em Fão, onde veio a casar com a fangueira Zulmira Borda, também professora e esteve ligado a várias instituições e como Presidente da Junta foi o primeiro grande lutador para tentar a elevação de Fão a Vila, que infelizmente não chegou a ver este desejo ser alcançado, pois faleceu 5 anos e 5 dias antes, no dia 3 de janeiro de 1971.