Fão: Há 35 anos saudava-se a "salvação" da praia com a construção do esporão
Na mesma data era anunciado o fim dos escuteiros em Fão
Vagueando pelas páginas do "O Novo Fangueiro" em papel, no seu 1º número de 1986, portanto há cerca de 35 anos, retemos algumas curiosidades, que provam que o tempo não muda tudo, mas muda muito, na natureza e nas pessoas.
Nesse nº 21 do mensário do Dr. Armando Saraiva, cuja ilustração da primeira página de “Nando” (artista multifacetado poveiro já falecido) é de uma caricatura dos centristas Engº Losa (Presidente da Câmara), D. Tininha (Vice) e Luís Viana (Presidente da Junta de Fão), figuras de proa de um CDS dominador há 35 anos, destacamos alguns apontamentos, no 1º número de 1986, publicado nos primeiros dias de janeiro.
Começando precisamente na política, partilhamos os resultados das eleições autárquicas divulgados no jornal de Fão, referentes ao acto eleitoral de dezembro de 1985 e para compararmos a realidade actual.
O CDS vencera em Fão com 749 votos (mais 134 que em 82), enquanto o PSD conseguia 525 (quase o dobro de 82 – 272) e o PS e APU desciam consideravelmente com 80 os socialistas (menos 100 que em 82) e 79 a APU (223 em 82). Grandes diferenças, mas também personalidades e motivações diferentes de agora.
Ainda com alguma relação à política, o Director do jornal de Fão, alerta a Junta de Freguesia para umas comemorações condignas do 10º aniversário da Elevação de Fão a Vila (janeiro de 1976), noutra altura em que não havia esta pandemia…
Da política para o associativismo, é anunciado pelo Novo Fangueiro o fim do Grupo Escutista de Fão e da sua Fanfarra, que atingira uma qualidade e protagonismo bastante notório. Sobre a Fanfarra, o Dr. Saraiva destaca o papel do “Chefe Miro”, que na altura se encontra doente e alerta para que esta possa ser aproveitada por outra instituição, sugerindo os Bombeiros, o que felizmente se veio a verificar, já que lhe deu ainda mais notoriedade e dimensão, para o que muito contribuiu entre outros, e principalmente o António Moledo Viana.

Num apontamento com algum destaque, com o título de “Paredão na praia”, refere-se a adjudicação da obra de construção de um esporão, que iria salvar a nossa praia, dizendo o estimado Dr. Saraiva, que ouviu e leu opiniões de importantes responsáveis e estudiosos da altura, entre Engenheiros, Arquitectos, Políticos e outros entendidos: ”Sem sombra de dúvida, trata-se da obra mais importante, que acontece em Fão, nos últimos tempos, não tanto pelos custos implicados, mas pelas consequências que daí resultarão. “

Refere ainda, que os estudos assim indicavam, que este paredão irá salvar a praia, as torres e o restaurante do hotel, sendo um grande acontecimento para Fão, "que não pode deixar de estar contente e agradecido. É a salvação que chega neste ano do cometa de 1986."

No entanto, nós que já não éramos propriamente crianças, lembramo-nos bem de opinião contrária de alguns fangueiros do povo, como meu velho pai e alguns pescadores, que as cãs da sabedoria havia dado experiência e conhecimento das areias e do mar.

E, não foi preciso sequer esperar 35 anos, nem metade disso, para nos apercebermos que os homens do povo estavam bem mais certos e não fora as construções paralelas à praia de um molhe em frente ao hotel ou nas casas da bonança, bem mais eficazes, já estes edifícios tinham ido por água abaixo ou derrocado. O tempo, tempo de mais para os estudiosos, vem confirmar, que para salvar as praias as protecções terão de ser paralelas e não perpendiculares à linha da maré, como foi feito ainda a tempo, mas um tanto tardiamente, na praia do Mindelo, como também fizeram em Fão, mas com "sacos" de areia, que se vão desfazendo….
Curiosidades…