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Evocações do passado: Há 30 anos construía-se o novo Salão Paroquial

Há 800 anos era feito o 1º recenseamento (Inquirições) de Fão
Desfolhando as memórias do passado, em registos que alguns ilustres fangueiros nos foram deixando, como o senhor Carlos Domingues da Venda Mariz, que investigou o que muitos fizeram antes de si, nas actas da Junta de Freguesia, Santa Casa da Misericórdia e Irmandade do Bom Jesus de Fão, entre outras consultas feitas em vários autores, quisemos hoje e aqui, evocar alguns acontecimentos históricos da nossa Vila, que em 2020, assinalam-se com números redondos e marcantes.



Esta é também uma forma de saudar, esta nossa "cara lavada" e "maquilhada", pela nossa artista Mara Costa, que assim deu um novo ar, para uma nova fase da vida deste Blog, que é essencialmente dos fangueiros e de Fão, onde quer que estejam e que apesar da sua singeleza e parcos meios, parece incomodar alguns, mesmo que por cá não seja habitual partidarismo, a não ser o nosso "fanático" e orgulhoso bairrismo, nem andemos por aí a oferecer-nos em troco de uma novidade, um copo, uma sandes ou um qualquer patrocínio, já que a nossa única publicidade é a nossa terra e os seus.

Novo Salão Paroquial em plena construção em 1990
Depois de uma geração de ouro, ter edificado o velhinho Salão Paroquial "Cristo Rei", muito pelo empenhamento do Senhor Prior Nogueira e dado grande utilização com as realizações inesquecíveis, do âmbito religioso e do teatro, que conheceu momentos áureos, mas também foi muito importante no desenvolvimento e união da juventude fangueira, eis que era altura de haver uma intervenção condigna e de fundo para contruir um novo Salão, que em 1990 andava de vento em poupa e em 23 de fevereiro, já levava a 1ª placa, embora as obras se tenham prolongado por uma década e ainda recentemente recebeu, a Capela Mortuária.

Falando desse mesmo ano de 1990 de algumas importantes obras, relembramos que foi construída nesse ano, perto do Cemitério, a Estação Telefónica Automática e eram também dados os primeiros passos para a construção do Bairro Social do Caldeirão, com a aquisição do terreno por parte da Autarquia.

Se recuarmos 120 anos, ou seja, em 1900, era inaugurado em Fão, a sede do Clube Fãozense, uma iniciativa de alguns dos mais ilustres fangueiros e amigos de Fão, com a concepção de um edifício, que ainda é dos mais belos e marcantes do nosso centro.

Há 100 anos, em Fão publicava-se aquele que era o 8º jornal que nascera em Fão, desde o princípio do século, neste caso "O Grulha", que teve 20 números mensais. Uma publicação cujo proprietário era o fangueiro Emílio Fernandes e tinha como Director e Editor, Cândido Nunes Vinha. Dessa publicação e porque acontece precisamente há 100 anos é anunciada a tomada de posse de Adminstrador do Concelho o fangueiro Jaime Lopes Pereira, cargo que apenas um outro fangueiro exerceu, o António José Vila Chã Pinheiro, dois homens que estiveram na comissão fundadora dos Bombeiros Voluntários de Fão há 95 anos.

Indo mais longe no tempo e para não entediar por ora os nossos leitores, referíamos ainda que há 200 anos, Fão recebia o primeiro Mestre Escola, embora não haja um registo preciso da data exacta, como refere também Carlos Mariz na sua importante publicação de há 20 anos atrás "Santa Casa da Misericórdia de Fão – 4 séculos de história" (fez há pouco 420), tendo sido o primeiro Professor o também médico Dr. Domingos Armão Menecy.

Para nos apercebermos da importância de Fão no passado, aqui evocamos o registo de que há 700 anos (1330), no tempo de D. Dinis e por sua ordem , teria de pagar uma taxa de 70 libras, para a contribuição na guerra contra os muçulmanos.

Na nossa evocação mais remota, referimos ainda que em 1220 (há 800 anos), naquele que foi o 1º recenseamento conhecido de Fão, nas Inquirições de D. Afonso II, surgia o registo de 5 casais afectos ao Convento de Guimarães e 33 ao Rei, mais vários “acasalados”, uma comunidade que deveria ser na maioria pescadores. Ora, pode-se calcular por estas contas, com 4 ou 5 pessoas por agregado dos registados e dos generalizados, em Fão no século XIII viveriam já perto de um milhar de pessoas.

"Para que o passado…não passe" , como diz a famosa e inspiradora frase do estimado e ilustre Dr. Joaquim Peixoto, continuaremos e sempre que haja algum tempo e disposição a falar do passado, da história e as histórias de Fão, desde já com um sentido agradecimento e louvor ao saudoso Carlos Mariz, nunca esquecendo de divulgar o presente e preocuparmo-nos com o futuro da nossa terra.