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Pastelaria Clarinhas

Situa-se na rua Azevedo Coutinho, em pleno centro de Fão. Na parede lateral do edifício pintado de um tom lácteo encontra-se a letras grandes a designação que dá nome à casa: Pastelaria Clarinhas.
A palavra registada que se pode ler por baixo remete-nos para o ano de 1947, quando a marca "clarinhas" foi patenteada pela proprietária na época, a saber, Rosália Fernandes Mendes, tia-avó de Maria Amália Freitas Barreiro, nossa conterrânea que em tempos esteve presente no programa matinal da RTP1, “Praça da Alegria”, justamente para falar e divulgar este doce que está tão associado à nossa vila. Ligados a este estabelecimento estão, portanto, três registos do mesmo produto: clarinhas, pastéis clarinha ou ainda pastelaria clarinhas, conforme pode ver-se afixados no estabelecimento.
Esta pastelaria com já meio século de existência esteve sempre ligada à família Barreiro. Nasceu pelas mãos das irmãs Rosália, Amália e Clara e conta, actualmente, com os pulsos de Manuel Sá Pereira e Pedro Miguel Barreiro Pereira Alves para segurar as rédeas de um negócio que também sente os efeitos da redução da afluência de clientes provocada pelo encerramento da ponte e pelo facto de estarmos a atravessar uma estação que por si só é menos convidativa a uma estadia ou passagem junto da aragem fria e invernal do mar e do rio.
No entanto, diz-nos Pedro Alves, durante os fins-de-semana, ao longo de todo o ano, a Pastelaria, situada na rua principal, bem no centro da Vila fangueira, recebe um elevado número de apreciadores deste doce. Seguindo até tradições familiares, vêm cá propositadamente para se deleitarem com o sabor macio das clarinhas, das cavacas e demais doces de fabrico caseiro. Já no tempo de seu avô, Rufino Barreiro, se serviam em "cartuchos" de papel, que ostentavam o carimbo de marca registada da casa, dúzias e dúzias de Clarinhas, que adoçavam depois em casa os momentos de conversa com um bom chá ,um verde branco muito fresco ou um champanhe meio seco ou doce. Enquanto esperavam pela encomenda, era vulgar o cavalheiro tirar a prova ao fabrico, pedindo 2 à parte servidas em pratinho, com uma taça de vinho fresco para afagar aquele consolo, que o Sr. Rufino servia elevando a garrafa, fazendo saltar em salpicos frescos. Todo este cerimonial de consumo e aquisição se repetia aos fins de semana, num espaço aconchegante com balcão antigo e prateleiras em madeira pintada em cor creme.
No mesmo local mas em edifício reconstruído mantendo a traça anterior,transpomos a porta de entrada e deparamo-nos com uma sala de dimensões espantosas, com condições para receber e bem servir um número considerável de clientes. Embutida na parede está uma lareira de onde erradia o calor proveniente da lenha em combustão, o que confere a esta pastelaria um carácter acolhedor, simpático e agradável.
Sentados numa das cadeiras podemos sempre observar os quadros que decoram as alvas paredes e que nos permitem revisitar um Fão antigo guardado na memória dos ancestrais e conservado em molduras com reproduções de antigas fotografias, enquanto vamos saboreando uma clarinha e mais outra. No primeiro movimento deixamos logo a descoberto o recheio de chila e impregna-nos a boca do doce que lhe é característico e que provém dos ingredientes especiais com algum segredo de confecção,sob capa de massa fina coberta com açúcar em pó, aquele que vai caindo como se de neve se tratasse. Para acompanhar, as anteriores sugestões mantêm-se, a que se pode adicionar o trago leve e espaçado de um velho porto .
Eis uma boa sugestão a considerar a qualquer hora do dia e em qualquer dia da semana.
Todos os momentos são propícios para provar e degustar um doce regional com a subtileza apreciada da clarinha e nada mais adequado do que fazê-lo na casa que empresta a tradição e a denominação!