MOTOCICLO FÃOZENSE
47 ANOS EM 2 RODAS
O Casimiro Fonseca, a fazer 58 anos, é a figura que escolhemos este mês para referenciar neste espaço. Com as últimas mudanças que fez no seu percurso de pequeno empresário, a sua oficina titula-se hoje “Motociclos Casimiro” mas não quisemos esquecer em título o nome que vingou durante algumas dezenas de anos. O nº 13 da Rua Serpa Pinto, ali à entrada, é hoje o endereço da sua oficina de bicicletas e motorizadas.
Com apenas 11 anos começou a aprendizagem da sua profissão na “garagem” do Júlio Felgueiras na Av. Manuel Pais, em frente ao Clube Fãozense. Há 47 anos.
Já com umas ligeiras noções mudou-se para Paredes, 2 anos depois para Fonte Boa e mais tarde para Esposende onde trabalhou no Álvaro Amâncio.
Como era normal na época, o serviço militar obrigatório transportou-o ao Ultramar e durante alguns anos afasta-o das lides mecânicas.
Regressado, retoma o trabalho na 1º oficina ainda com o Júlio Felgueiras e em 1973 assume –se como empresário, passando assim a ser o proprietário por cedência de exploração.
A oficina situava-se no edifício lateral da Igreja da Misericórdia, onde hoje é o Núcleo Museológico ou mais bem dizendo, o bonito Museu de Arte Sacra e ali funcionou até ao ano de 2000, após acordo com a Santa Casa, passando para as actuais instalações nas Pedreiras.
Ali desenvolveu o seu negócio de comércio e reparação de veículos de 2 rodas, com ou sem motor, numa época próspera , onde as “motorizadas” eram os veículos mais utilizados sobretudo pelos mais jovens. As v5 e as EFS, com as transformações que lhes davam mais potência e velocidade, eram rainhas da estrada, por vezes com as consequências menos agradáveis.
Mas o Casimiro também soube espreitar o “furo” do turismo e começou a alugar bicicletas a pedal para os utentes dos hotéis da região, num acordo bipartido em que passava por ele toda a assistência técnica e parte dos lucros.
Desde o hotel Ofir, Hotel do Pinhal, Estalagem do Parque do Rio, hotel Nélia, hotel Vermar e estalagem de Santo André, foi um negócio diferente que durou cerca de 8 anos.
O Casimiro foi quase sempre trabalhador e patrão em exclusivo. Apenas os filhos, já crescidotes, é que tiveram direito a partilhar as suas ferramentas, pois era também uma escola familiar de aprendizagem profissional.
O Luís Miguel ainda ali trabalhou quase 10 anos até partir para a Suíça.
Naquela antiga oficina o Casimiro teve um dia um desagradável incêndio que lhe causou bastantes prejuízos e ali sentiu o valor da solidariedade dos seus amigos, que organizaram um espectáculo de revista para o ajudar.
No ano de 2000 o Casimiro rumou ás Pedreiras, logo no início da rua Serpa Pinto, numa casa simples que tem o nº 13, sem com isto reflectir qualquer ponta de azar, para além da conjuntura que não favorece o negócio.
Quem lhe conhece a oficina , encontra um espaço bem arrumado e arejado, com as ferramentas apropriadas para a profissão bem organizadas em painéis de parede, uma pequena secção de acessórios bem composta e á frente o seu repositório dos veículos reparados para entrega aos clientes e outros para venda.
Tecnicamente o Casimiro é um mecânico muito experiente, sobretudo em motores de 2 tempos, que equipam as scooters recentes muito utilizadas ainda e outros equipamentos de utilização doméstica. Mas muitos de 4 tempos lhe passaram pelas mãos também.
As bicicletas a pedal, hoje tão em moda, com os sistemas de afinação mais complicados não têm segredos para este mecânico de 58 anos, que desde menino vive os seus dias entre motores e rodas.
Questionado sobre o futuro, mastigou um pouco as dificuldades do negócio e sabe que os tempos não estão fáceis, esperando sempre que melhores dias virão. Há muitos anos que se sente bem preparado.