Loja de Velharias e Antiguidades do Gaspar
Gaspar da Silva Azevedo é natural do concelho de Penafiel, mas vive em Fão há cerca de 35 anos, com um percurso profissional que teve início nos escritórios do Hotel Ofir, depois de cumprir o serviço militar em Moçambique.
Uma instituição voltada para o apoio aos ex-militares desempregados encaminhou-o para a maior unidade hoteleira do concelho, onde trabalhou durante 12 anos.
Os frequentes leilões que decorriam naquele hotel despertaram-lhe alguma curiosidade pelo negócio das antiguidades e ainda nessa altura comprou algumas peças nas aldeias, colocando-as também à venda com a colaboração da Leiloeira União.
Com as alterações verificadas no Hotel muitos foram os trabalhadores que saíram e o Gaspar entendeu ser esse o momento para fazer a mudança de vida, iniciando uma prospecção pelas aldeias do interior, onde adquiriu muitas das velharias que deram início ao seu negócio.
Em meados da década de oitenta abriu uma loja na casa da Aninhas, na estrada nacional 13 em frente aos pastéis de Fão, onde organizou a sua actividade e foi adquirindo stock diversificado.
Mais tarde adquiriu um bom espaço no prédio Loureiro,na mesma avenida, onde tem hoje o seu negócio e o desenvolve .
O interesse do Gaspar pelas faianças obrigou-o a um estudo aprofundado da matéria, reforçando os seus conhecimentos com a aquisição de livros especializados, obtendo grande experiência e saber com o decorrer dos anos. Hoje é uma área onde se sente mais à vontade e tem dado o seu contributo em trabalhos da especialidade, sendo abordado por várias pessoas interessadas em tirar dúvidas ou saber mais sobre determinadas peças. Pelas suas mãos já passaram muitas peças em faiança e hoje o seu mostruário é diversificado, podendo apreciar-se terrinas, travessas, canecas, galheteiros, pratos e malgas de diversas épocas.
Também os móveis rústicos e clássicos são objecto da sua selecção e as peças em pau preto ou vinhático são as mais valorizadas. Papeleiras, cómodas tortas e oratórios são bastante procurados e os valores muito variáveis conforme o perfil de cada peça.
Também a arte sacra tem algum significado no negócio com as imagens estofadas e policromadas sendo mais valorizadas as de madeira de bucho ou castanho, de entre vários factores que determinam o preço.
Mas na sua exposição podem apreciar-se outros tipos de peças como relógios de mesa ou de uso pessoal, numismática de colecção, muitos linhos, pratas, cristais, pequenos crucifixos, caixas de música e bonitas caixas registadoras.
São vários os coleccionadores que visitam esta loja à procura de peças interessantes tendo em conta a diversidade e o conhecimento que o seu dono tem do que vende.
Na dúvida sobre o perfil da peça, o Gaspar recorre a mais que um especialista para certificar as suas verdadeiras características e também esse recurso lhe reforça os conhecimentos com as trocas de opinião.
Muitos dos pequenos objectos são vendidos a particulares que procuram no seu espaço uma peça interessante e com valor garantido para servir de oferta em ocasiões especiais.
Por curiosidade é interessante saber que neste tipo de actividade os profissionais têm de fornecer semanalmente à Polícia Judiciária uma listagem de todas as peças adquiridas devidamente identificadas com o nome, características, ano e proveniência, tornando maior o controle sobre os espólios que figuram à venda.